Pacientes com câncer de mama com níveis de vitamina D subótimos têm mais probabilidade de ter tumores agressivos e marcadores prognósticos piores que aquelas com níves adequados de vitamina D.

Kirstin Skinner, da University of Rochester Medical Center, em Nova York, apresentou os resultados de um estudo na 12a reunião anual da American Society of Breast Surgeons (ASBS). Pesquisadores observaram que a deficiência de vitamina D está associada a subtipos de câncer de mama com a mortalidade mais alta, incluindo doença triplo negativa e fenótipo molecular basal-like, e que níveis subótimos de vitamina D são associados a um maior risco para recidiva.

“Esse é um de apenas poucos estudos que examinam o papel da vitamina D na progressão do câncer de mama em vez de desenvolvimento do câncer e a magnitude desses achados foram surpreendentes”, disse Luke Peppone, um dos co-investigadores. “Com base nesses resultados, médicos deveriam considerar o monitoramento de níveis de vitamina D entre pacientes com câncer de mama e corrigi-los quando for necessário.

25-OH vitamina D

O estudo envolveu 194 pacientes recém-diagnosticadas com câncer de mama em estágios 0 a III que tinham níveis totais de 25-OH vitamina D checados três meses antes ou depois da cirurgia (tempo mediano para avaliação, 30 dias antes da cirurgia). Pacientes se submeteram a cirurgia entre janeiro de 2009 e novembro de 2010. Um total de 37.337 pacientes com idades entre 40 e 70 anos que tinham seus níveis de 25-OH vitamina D medidos nos laboratórios clínicos do instituto serviram como grupo controle. Níveis foram dicotomizados em níveis ótimos de pelo menos 32 ng/mL e níveis subótimos abaixo de 32 ng/mL.

Depois de controlar co-variáveis relevantes, investigadores descobriram diferenças significativas entre níveis de 25-OH vitamina D e um número de variáveis prognósticas (score Oncotype DX [uma medida de risco de recidiva], estágio tumoral, expressão de HER2, entre outros).

Níveis de vitamina D significativamente menores

Skinner notou que pacientes de câncer de mama tinham um nível médio de 25-OH vitamina D significativamente menor que o grupo controle da mesma idade e saudável, e que as chances de se desenvolver câncer de mama eram 2,5 vezes maiores com níveis de vitamina D deficientes. “Esses resultados podem explicar a taxa de sobrevida diminuída entre pacientes com câncer de mama com deficiência de vitamina D observada por Goodwin et al”, disse. “Nós checamos rotineiramente os níveis de vitamina D e os repomos, procurando chegar a um nível de cerca de 50.”

Ainda não se sabe, no entanto, se pacientes desenvolveram tumores mais agressivos porque tinham deficiência de vitamina D ou se a deficiência tinha alguma relação com o desenvolvimento do câncer, que muda o tumor de menos para mais agressivo.

“Acho que ainda precisamos de mais pesquisas nesse sentido, mas é certamente intrigante, e não há dúvida de que a vitamina D é algo que precisamos considerar em estudos futuros”, disse a porta-voz da ASBS, Deanna Attai, do Center for Breast Care, Inc., em Glendale, Califórnia.

Fonte: Medscape Today

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