Nutricionista oncológica comenta os destaques de evento internacional de nutrição

Georgia Oliveira

Especialista em nutrição oncológica
Membro da Sociedade Brasileira de Nutrição Oncológica (SBNO)
Colaborador da Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC)
Especialista em nutrição enteral e parenteral pela
Sociedade Brasileira de Nutrição Parenteral e Enteral: (BRA SPEN)
Nutricionista sênior da Oncologia D’Or

O maior Congresso de Nutrição Clínica e Metabolismo da Europa ocorreu em Madri, na Espanha, entre 1 e 4 de setembro. Com o tema “Nutrição sem fronteiras”, o congresso, em  sua 40ª edição, expressou o interesse em explorar novos tópicos em nutrição clínica, em diferentes contextos clínicos, juntamente com o ambiente multidisciplinar. A programação  ofereceu uma grande oportunidade para médicos, nutricionistas, farmacêuticos, cientistas e enfermeiros envolvidos no campo da nutrição  e metabolismo, para atender e discutir ciência de ponta mundial.

Obesidade como risco

Tivemos novidades no campo da desnutrição do paciente hospitalar,  trazendo novos caminhos para diagnosticá-la precocemente. O câncer também esteve entre os debates, especialmente ligado ao tema da adiposidade, ressaltando o papel da obesidade como um fator de risco para a doença. Sabemos que, em casos de obesidade e de excesso de peso, há hiperinsulinemia e resistência à insulina. Acredita-se que o excesso crônico desse hormônio reduza os níveis de proteína ligante de IGF (IGFBP1 e IGFBP2), com consequente  aumento de GF1 (fator análogo à insulina-1) livre, o que culminaria com mudanças no ambiente celular,  favorecendo  o desenvolvimento tumoral.

Podemos destacar que a obesidade pode ser definida  por um estado de inflamação subclínica ou de baixo grau,  que envolve a produção de várias  citocinas pró-inflamatórias, como TNF-a, IL-1 e IL-8, reguladas por genes alvo da via de ativação do fator nuclear kappa B (NF-ĶB) dependente do IKKß. Evidências mostram que a resposta inflamatória favorece  a ativação da  carcinogênese.

Pacientes idosos

No evento também foi divulgado um novo guideline de geriatria, que refere especificidade para risco nutricional e recomenda para pacientes idosos a ingestão de 30  kcal/kg e o mínimo de 1g proteína/kg diários. O cálculo da distribuição proteica é muito  importante, sobretudo para  o paciente crítico e para o oncológico. A recomendação é de 1,3g de  ptn/kg de peso (paciente crítico), podendo chegar  a 2,0g de ptn/kg de peso nos demais pacientes, especialmente aqueles com perda de massa muscular.

Terapia nutricional nas doenças intestinais

Outro assunto debatido foi a terapia nutricional nas doenças intestinais. A inflamação promove danos no trofismo do trato   gastrointestinal, portanto é necessário estar atento à hidratação desses pacientes. Soluções  isotônicas  têm boa indicação. Além disso, as fórmulas poliméricas, aquelas em que os  macronutrientes (proteínas, carboidratos e lipídios), em especial a proteína, apresentam-se na  sua forma intacta  (polímeros), ainda devem ser utilizadas, sempre que possível.

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