A imunoterapia está em alta no mundo da oncologia. A próxima ASCO volta o olhar para um promissor estudo da Universidade de Yale, com a assinatura de Roy S. Herbst, reconhecido como um especialista em estudos em fases iniciais. Agora, Herbst apresenta na ASCO a fase 1 de um estudo financiado pela Genentech com um agente por hora identificado pelo simbólico conjunto de letras e números – MPDL3280A.

O novo agente é um anticorpo seletivo para o alvo PD-L1 e mostra taxas de redução do tumor “impressionantes”, com respostas “seguras e duráveis” em pacientes que tinham progredido a diferentes tratamentos. Foram recrutados pacientes com vários tipos de câncer, incluindo pulmão, melanoma, tumores renais, câncer gástrico e colorretal. “Vários pacientes apresentaram diminuição do tumor no intervalo de poucos dias após o tratamento”, descreve o comunicado do MPDL3280A divulgado à imprensa.

A proteína PD-L1 frequentemente aparece superexpressa na superfície das células cancerosas e funciona como um disfarce, que permite driblar o sistema imunológico. A proposta do MPDL3280A é desvendar esse mecanismo e impedir que a PD-L1 ajude as células do câncer se esconder do sistema imunológico.

“Estamos impressionados com a frequência e duração das respostas nestes pacientes com tumores muito difíceis de tratar. Até agora, quase nenhum paciente progrediu depois de apresentar redução do tumor”, disse Herbst, professor de medicina do Yale Cancer Center e diretor de Oncologia Médica do Smilow Cancer Hospital de Yale-New Haven. “Esta droga faz parte de uma nova e emocionante geração que desbloqueia o poder do sistema imune para atacar o câncer”.

A eficácia foi avaliada em 140 pacientes com tumores sólidos localmente avançados ou metastáticos, cuja doença tinha progredido apesar de terapias anteriores. A redução do tumor foi observada em pacientes com câncer de pulmão não-pequenas células, melanoma, câncer de rim (carcinoma de células renais), câncer colorretal e gástrico.

No geral, 29 dos 140 (21%) pacientes apresentaram diminuição significativa do tumor. O maior número de respostas terapêuticas ocorreu em pacientes com câncer de pulmão e melanoma.

Ainda não está claro como a expressão do PD-L1 afeta a resposta ao MPDL3280A. Os pesquisadores analisaram tecidos de 103 pacientes e descobriram que a redução do tumor ocorreu em 36% dos pacientes com tumores positivos para a expressão do PD-L1 e, surpreendentemente, também em 13% dos pacientes com teste negativo para PD-L1. O teste de diagnóstico para PD-L1 ainda está evoluindo. Então, um resultado negativo poderia simplesmente significar que os tumores têm menos PD-L1 do que o teste é capaz de detectar atualmente.

Em resumo, os primeiros dados da investigação de Herbst e equipe são encorajadores e uma série de estudos de fase II e fase III já está prevista para confirmar a eficácia da droga no tratamento do câncer e validar ainda mais a utilidade do teste de diagnóstico de PD-L1.

“O fato de ter se mostrado um medicamento ativo em tal variedade de tumores sugere que o PD-L1 é parte de um mecanismo imunológico universalmente ou geralmente importante. Ao longo dos próximos anos, as drogas que vão ajudar a ativar e dirigir o sistema imunológico provavelmente vão assumir um papel crescente na assistência ao paciente “, projeta Clifford A. Hudis, presidente eleito da ASCO.

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