Terapia teve bons resultados para o tipo triplo negativo, agressivo e até então sem muitas opções de tratamento

A imunoterapia viveu um boom recentemente com aplicações especialmente para o câncer de pulmão. Chegou a ser reconhecida pelo Nobel de Medicina este ano. Agora a abordagem, que usa o sistema imune do próprio paciente para combater o câncer, se mostrou promissora para o câncer de mama em estudo apresentado no congresso europeu de oncologia, o ESMO, que ocorre esta semana em Munique, Alemanha.

O IMpassion130 mostrou que a combinação de nab-paclitaxel e atezolizumabe é capaz de aumentar a sobrevida de pacientes com câncer de mama triplo negativo metastático, tipo que até então tinha poucas opções de tratamento. A abordagem é a primeira a aumentar sobrevida nesse grupo de pacientes, que não mostra resposta com hormonioterapia ou medicações anti-HER2 e são hoje tratadas com quimioterapia citotóxica.

O estudo de fase III recrutou 902 pacientes que não haviam sido previamente tratadas. Eles receberam quimioterapia padrão com nab-paclitaxel e randomizadas para combinação com atezolizumabe ou placebo. Os objetivos principais eram sobrevida livre de progressão (SLP) e sobrevida global (SG).

A terapia combinada reduziu o risco de progressão ou morte em 20% para a população geral do estudo e em 38% naqueles tumores que expressavam PD-L1. a mediana de sobrevida livre de progressão foi de 7,2 meses para o grupo da imunoterapia vs. 5,5 meses para o grupo de QT isolada. Na população com tumores positivos para PD-L1, a mediana de SLP foi de 7,5 meses vs. 5,0 meses.

Os efeitos colaterais reportados foram bem tolerados e ocasionados, na maioria dos casos, pela quimioterapia. ‘A imunoterapia junto com a quimio prolongou a vida em até meses para pacientes com PD-L1 e deveria se tornar uma opção para pacientes metastáticas triplo-negativas”, disse à imprensa o principal autor do estudo, Peter Schmid.

“Não tínhamos nenhuma imunoterapia testada em fase definitiva para câncer de mama. Os resultados são impressionantes, dados que não costumamos ver em primeira linha e aguardamos a aprovação das agências internacionais”, comentou o oncologista Gilberto Amorim, oncologista clínico da Oncologia D’Or, que acompanha o evento na Alemanha.

Até então, a imunoterapia só havia mostrado benefícios para o câncer de mama em um estudo experimental isolado divulgado no início do ano. Na ocasião, uma paciente metastática ficou curada ao usar um tratamento baseado em células T do seu próprio organismo.

 

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.