Depois dos resultados animadores do Yervoy (ipilimumabe) no tratamento do melanoma, novas estratégias terapêuticas apostam no papel dos imunoterápicos como agentes para enfrentar a doença avançada e oferecer ao paciente alternativas promissoras para viver mais e melhor. As novidades foram apresentadas na ASCO 2013, tendo entre os destaques o nivolumabe, um anticorpo contra o programmed death one (PD1) e certamente uma das promessas desta 49ª reunião da Sociedade Americana de Oncologia Clínica.

Os resultados do estudo de fase I que investigou o novo agente em uso combinado ou sequencial com ipilimumabe foram publicados no New England Journal of Medicine, com dados bastante favoráveis à ação do anti-PD1. “As respostas com a utilização simultânea de nivolumabe e ipilimumabe em pacientes com melanoma avançado encorajam mais investigações em testes randomizados e demonstram que a combinação de agentes pode ter ação complementar para combater o câncer”, disse Jedd D. Wolchok, do MD Anderson Cancer Center, que apresentou o estudo na conferência em Chicago.

O estudo envolveu 86 pacientes. Desse total, 53 receberam a combinação simultânea dos dois agentes, enquanto 33 foram designados para o tratamento sequencial. No braço de regime simultâneo, nove dos 17 doentes (53%) tratados com a dose máxima tolerada de 1 mg / kg de nivolumabe + 3 mg / kg de Yervoy® (ipilimumabe) atingiram pelo menos 80% de redução do tumor em uma primeira avaliação do tratamento em 12 semanas, incluindo três respostas completas (RCs). Em pacientes passíveis de serem avaliados para resposta tumoral em todos os regimes de tratamento foram observadas respostas em 21 dos 52 pacientes. Em 76% a redução do tumor foi igual ou superior a 80% em 12 semanas, incluindo cinco respostas completas (CRs). No grupo de regime sequenciado, seis dos 30 pacientes obtiveram respostas objetivas (20%), incluindo uma resposta completa (CR). Quatro (13%) pacientes atingiram pelo menos 80% de redução do tumor em oito semanas.

Outro a apostar no caminho da imuno-oncologia é o estudo OPTiM, conduzido pelo grupo de Robert Hans Andtbacka, do Rush University Medical Center, que apresentou os resultados preliminares da investigação de fase III comparando o agente T-VEC (virus talimogene laherparepvec) de imunoterapia oncolítica (OI) com o fator GM-CSF (granulocyte macrophage colony-stimulation). O estudo foi realizado no período de maio de 2009 a julho de 2011 com 436 pacientes de melanoma avançado (estadio III B/C ou IV), com idade média de 63 anos e status ECOG zero ou 1. Os pacientes foram randomizados na proporção de 2: 1. O braço designado para T-VEC compreendeu 295 pacientes (68%), enquanto 141 (32%) receberam a dose do fator GM-CSF. A investigação estabeleceu como endpoint primário a taxa de resposta durável (DRR), resposta parcial ou completa.

A imunoterapia oncolítica demonstrou uma melhoria estatisticamente significativa na DRR (16%) em comparação com o braço GM-CSF (2%), assim como um perfil de segurança tolerável. A análise preliminar também mostrou taxa de resposta objetiva de 26,4% para a terapia oncolítica, versus 5,7% para GM-CSF. O agente T-VEC ainda demonstrou tendência para a melhoria da sobrevida global (OS) no melanoma metastático, com 23,3 meses versus 19 meses com GM-CSF. Uma análise mais completa é aguardada para o final deste ano (Informações do ensaio clínico: NCT00769704).

Novos regimes

Embora GM-CSF tenha apresentado resultados inferiores na comparação do estudo OPTiM sua futura utilização não é descartada no tratamento do melanoma. É o que mostra o estudo do Dana-Farber Cancer Institute, que comparou o uso do ipilimumabe isoladamente com o uso combinado de ipilimumabe mais GM-CSF.

O estudo de fase II (Abstract CRA 9007) foi apresentado na ASCO deste ano por F. Stephen Hodi e os resultados são promissores, mostrando que a combinação não apenas aumenta a sobrevida global dos pacientes como também concorre para reduzir a toxicidade do tratamento na comparação com a monoterapia com ipilimumabe. Além de reduzir significativamente os efeitos adversos severos (graus 3 a 5) de 58,3% para 44,9%, mais de dois terços dos pacientes que receberam o regime tiveram OS superior a um ano.

Um total de 245 doentes com melanoma irressecável estadio III, previamente tratados, foram aleatoriamente designados para receber a indução e manutenção do ipilimumabe na dose de 10 mg / kg com ou sem a adição de GM-CSF. Na análise preliminar, a mediana de sobrevida global foi de 17,5 meses na combinação ipilimumabe mais GM-CSF e de 12,7 meses na monoterapia (hazard ratio 0,64, p = 0,014) . Os dados ainda estão sendo coletados para complementar a análise.

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