Nova tecnologia promete maior eficácia e precisão na extração de tumores

por Vinicius Zepeda

Nos anos 1980 a indústria automobilística trouxe ao mundo uma nova tecnologia: a impressão 3D. De lá pra cá, as impressoras conquistaram outros mercados, como o mobiliário, da moda, do entretenimento e até mesmo de armas. E na saúde não é diferente. O uso de impressoras tridimensionais tem ampla aplicação, auxiliando na educação médica e no planejamento de cirurgias.

Um estudo coordenado por Nicole Wake, pesquisadora do Instituto Sackler da Graduação de Ciências Biomédicas da Faculdade de Medicina da New York University (NYU), vem avaliando o impacto do uso de modelos tridimensionais de tumores de rim e próstata no planejamento pré-cirúrgico de uma amostra de 300 pacientes. O intuito é comparar o uso desses modelos, impressos numa moderna impressora 3D Stratasys J750, de última geração, a partir de imagens de ressonância magnética do paciente, com métodos convencionais de visualização 3D, ou mesmo com realidade aumentada.

“Até o momento identificamos uma redução significativa no tempo de preparo e planejamento de cirurgias, e consequentemente na eficiência do planejamento cirúrgico por meio da impressão tridimensional”, afirma Wilian C. Huang, urologista e professor da Faculdade de Medicina da NYU e coautor do estudo.

3d tumores

A impressão 3D de tumores pode ajudar no preparo de cirurgias. Na imagem, um modelo de uma próstata. (foto: Stratasys)

Os pesquisadores também avaliam o uso das impressões 3D no momento da consulta, como forma de facilitar a explicação do quadro clínico aos pacientes que vão passar por um procedimento cirúrgico. “A maioria dos pacientes não sabe como interpretar as imagens radiológicas, mas pode ter mais facilidade de compreender as imagens anatômicas tridimensionais, podendo então discutir melhor com os médicos a sua situação”, comenta Nicole Wake.

Estudo facilitado

A tecnologia também é tema de pesquisas no Brasil. Na Universidade de São Paulo (USP), um projeto coordenado por Chao Lung Wen vem contribuindo para ampliar os benefícios no campo da formação dos médicos. “Hoje um dos grandes problemas que as faculdades de medicina enfrentam é a falta de cadáveres para estudos de anatomia. Há pouca doação. Em nosso projeto Homem Virtual, elaborarmos órgãos do corpo humano em três dimensões para que a tecnologia possa complementar o que antes era estudado em duas dimensões”, explica o pesquisador. “Além disso, os estudantes podem levar os órgãos para estudar em casa, o que não é possível com cadáveres”, complementa.

3d tumores

A impressão em 3D pode ajudar o estudo anatômico.

Dilemas e mudanças na economia

A impressão 3D é capaz de reproduzir aspectos como texturas, cores, gradações e transparências, de diferentes estruturas, das mais simples às mais complexas. Com a tecnologia cada vez mais popular e acessível, o consumidor poderá fazer ele mesmo seus produtos. Indústrias e prestação de serviços em áreas como construção, design, arquitetura, decoração, entre outras, serão seriamente ameaçadas, podendo até mesmo acabar, ou ser forçadas a se reinventar.

Em 2013, veículos de imprensa noticiaram tutoriais na internet que ensinavam a fazer réplicas de armas de fogo utilizando impressoras 3D. O assunto gerou uma série de debates ao redor do mundo sobre os limites éticos de seu uso, que pode vir até a contribuir para o aumento da violência ao facilitar o porte de armas de fogo, mesmo que por vezes elas sejam apenas falsificações.

Já na área médica a tecnologia se mostra extremamente útil para popularizar e baratear a confecção de próteses e órteses. “Atualmente, quem tiver o equipamento e dominar softwares de modelagem em 3D, como AutoCAD, por exemplo, pode fazer uma prótese ou órtese com baixíssimo custo”, explica a médica fisiatra Eliane Machado. “Entretanto, só a prótese não é o suficiente. Faltam estudos sobre seu uso e uma maior padronização na sua confecção. Além disso, não adianta apenas colocar a prótese se não houver todo o trabalho de reabilitação, fisioterapia e terapia ocupacional para que o amputado aprenda a usá-la”, conclui.

 

*Reportagem publicada na revista Onco&40