Pesquisas de exploração espacial e oncologia se encontram quando o assunto é radiação e câncer

O que a exploração espacial e o câncer têm em comum? A resposta está na radiação. Nosso planeta é constantemente bombardeado por raios cósmicos vindos do espaço, forma de radiação que na Terra é usada para tratar o câncer, mas que fora dela pode causar a doença em eventuais astronautas que sejam expostos.

Essas partículas altamente energéticas estão ligadas ao começo e ao fim do câncer. Quando usadas de forma controlada, como na radioterapia, curam. Mas em doses altas como as encontradas no espaço, podem ser danosas. Medicina e exploração espacial ambas precisam entender melhor essas partículas e seu papel na saúde. A interseção é tema de um especial da revista Frontiers com o tema “Charged Particles in Oncology. O material traz uma série de artigos que exploram as partículas de alta energia no espaço e na oncologia.

“Esses dois campos, completamente diferentes, compartilham muitas questões e podem se ajudar. Astronautas e pacientes com câncer podem se beneficiar”, diz o editor da publicação, Marco Durante, do Trento Institute for Fundamental Physics and Applications.

Um dos estudos do especial aborda a criação de um campo magnético em volta de uma nave espacial para protege-la dos raios cósmicos do mesmo modo que o campo magnético da Terra nos protege. Outro artigo discute a recriação de raios cósmicos em aceleradores de partículas para medir os efeitos biológicos da radiação. Um terceiro artigo discute a suscetibilidade individual à radiação e os impactos na saúde.

Mais no campo da medicina, outros estudos investigam o efeito da terapia de radiação sobre tumores. Em um dos trabalhos, os pesquisadores comparam a radioterapia do íon do carbono com a tradicional com raios X e sugerem que a primeira opção seja melhor para combater o câncer de próstata e de cólon.

Os estudos podem ser lidos aqui.