Um amplo estudo de fase IIII, randomizado e duplo-cego conduzido pelo grupo canadense NCIC Clinical Trials Group mostrou que o inibidor de aromatase (IA) exemestano reduz em 65% o risco de mulheres pós-menopausadas com alto risco desenvolver câncer de mama se comparado ao placebo. Os resultados do estudo foram divulgados hoje na 47ª edição do Encontro Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), em Chicago.

“O potencial impacto desses achados em saúde pública é importante. Estima-se que, mundialmente, 1,3 milhão de mulheres sejam diagnosticadas com câncer de mama todo ano e cerca de 500 mil morram em decorrência da doença. Os resultados do estudo MAP.3 (Mammary Prevention Trial-.3) indicam que o exemestano é uma forma promissora de prevenção de câncer de mama nas mulheres menopausadas mais comumente afetadas pela doença”, disse Paul Edward Goss, principal autor do estudo  e professor de medicina na Harvard Medical School e do Massachussets General Hospital em Boston.

“A redução nos tumores de mama demonstrada veio exatamente ao encontro de nossas expectativas”, continuou. “Os números de tumores são pequenos, mas parece ter havido também menos casos dos tumores agressivos com exemestano. Nosso estudo não apenas mostrou uma redução impressionante em cânceres de mama, mas também um excelente perfil de efeitos colaterais, apesar de ser importante ressaltar que o seguimento médio foi de apenas três anos.”

Os estrógenos são relacionados à causa do câncer de mama. Os anti-estrógenos tamoxifeno e raloxifeno são drogas preventivas para câncer de mama em mulheres com alto risco apelo FDA. Estima-se, porém, que condições raras mas sérias, como câncer de útero e coágulos potencialmente fatais, limitaram a aceitação do tamoxifeno para apenas 4% das mulheres em alto risco e 0,08% de todas as mulheres nos Estados Unidos. Há uma necessidade de opções mais eficazes e seguras para prevenção do câncer de mama.

Os inibidores de aromatase têm grande eficácia para evitar a  síntese de estrógeno e são distintos do tamoxifeno na forma com que combatem o estrógeno. Os IAs são superiores ao tamoxifeno na prevenção de recorrências em pacientes com câncer de mama em estágio precoce, incluindo a prevenção de novos tumores de mama. Os pesquisadores predizem, a partir de experimentos em laboratório e resultados clínicos, que IAs preveniriam o câncer de mama sem as toxicidades sérias observadas com tamoxifeno.

O estudo MAP.3, liderado e coordenado pelo NCIC CTG, é o primeiro estudo randomizado para avaliar um inibidor de aromatase como agente preventivo para câncer de mama em mulheres saudáveis. O exemestano é um IA aprovado pelo FDA para uso em mulheres com câncer de mama em estágio precoce. O estudo envolveu 4.560 mulheres dos EUA, Canadá, Espanha e França. Mulheres pós-menopausadas elegíveis tinham pelo menos um dos seguintes fatores de risco: idade maior ou igual a 60 anos; escore de Gail maior que 1,66%; hiperplasia ductal ou lobular atípica anterior ou carcinoma lobular in situ; ou carcinoma ductal in situ com mastectomia prévia.

Num seguimento médio de três anos, o grupo recebendo exemestano teve uma redução de 65% em tumores invasivos (11 tumores invasivos de mama no grupo recebendo exemestano comparado a 32 no grupo placebo). Também houve uma redução de 60% em cânceres de mama invasivos mais carcinoma ductal in situ entre os 66 casos das mulheres no estudo. Vale ressaltar também que houve menos casos de lesões precursoras do câncer, como hiperplasia ductal atípica ou hiperplasia lobular atípica, no grupo recebendo exemestano.

Os pesquisadores reportaram que sintomas como fogachos, fadiga, sudorese, insônia e artralgia foram frequentes em todas as mulheres no estudo, mas previsivelmente mais comuns com exemestano. Entretanto, esses sintomas pareceram não afetar relatos pessoais na qualidade de vida relacionada a saúde com exemestano.

Efeitos adversos mais sérios, incluindo fraturas ósseas, osteoporose, hipercolesterolemia, eventos cardiovasculares adversos e outros cânceres não relacionados a mama, foram iguais nos dois grupos.

“Depois da abertura do estudo, o exemestano será oferecido para mulheres em terapia ativa até que sejam completados cinco anos. Centros envolvidos no MAP.3 terão a opção de oferecer cinco anos de exemestano para aquelas inicialmente no grupo placebo. Nós e outros estamos conduzindo estudos com controle de placebo de IAs em mulheres saudáveis e pacientes com câncer de mama em estágio precoce em mulheres menopausadas de idade similar. Os resultados desses estudos em andamento contribuirão para nossa compreensão das eficácias e toxicidades dos inibidores de aromatase no longo prazo”, disse Goss. “Os resultados no longo prazo em mulheres com câncer de mama precoce mostram reduções duráveis no longo prazo em novos cânceres de mama com exemestano sem acúmulo de toxicidades tardias. Portanto, estamos esperançosos e otimistas de que esse será o caso com esse modelo de prevenção.”

revista-onco

Oncologia para todas as especialidades.