Entre os estudos apresentados na 50ª reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (Asco) as pesquisas relacionadas às imunoterapias para melanomas avançados ou de alto risco e câncer cervical estiveram entre as de maior destaque. Esse tipo de tratamento, apontado como uma das principais tendências no combate ao câncer, age contra o tumor ao ativar ou amplificar as respostas do sistema imunológico à doença.

Entre os novos estudos apresentados sobre o tema no evento ganhou destaque o que apontou, pela primeira vez, que o ipilimumab – um tipo de tratamento já utilizado no tratamento de melanoma avançado – pode reduzir substancialmente o risco de recorrência em determinados grupos de pacientes que apresentem a doença em estágios menos avançados. Os resultados foram apresentados por Alexander Eggermont, diretor geral do Gustave Roussy Cancer Campus, em Paris. “Esse é o primeiro estudo com ipilimumab a mostrar que podemos introduzir esse tipo de droga em um estágio anterior da doença, com potencial para curar mais pacientes”, afirmou o pesquisador.

Outra pesquisa mostrou que um tratamento imunoterápico personalizado induziu a uma remissão completa e duradora em um grupo de mulheres com câncer cervical avançado. Apesar de este ser ainda um estudo pequeno e ter envolvido poucas pacientes, ele foi recebido como uma boa notícia, uma vez que existem pouquíssimas opções efetivas de tratamento para essa doença. Novos estudos, porém, são necessários para avaliar melhor essa terapia. “Ainda é tratamento considerado experimental e está associado a alguns efeitos colaterais significativos. Precisamos também entender por que essa terapia funcionou tão bem para algumas mulheres, mas não para outras”, afirmou o líder do estudo, Christian Hinrichs, do National Cancer Institute, em Bethesda, nos Estados Unidos. O estudo foi financiado com recursos públicos.

Os resultados, de forma geral, foram vistos de forma positiva pela associação. “O campo da imunoterapia cresceu muito na última década e cada vez mais pacientes estão se beneficiando disso”, afirmou Steven O’Day, professor de medicina da Keck School of Medifine, na University of Southern California, responsável por mediar a seção em que foram apresentadas as novidades relacionadas a esse campo de pesquisa. “Ter uma nova forma de manter o melanoma sob controle é um grande avanço para pacientes que vivem sob o medo constante de recorrência após cirurgia. Também é incrível estendermos os benefícios da imunoterapia para doenças como o câncer cervical, cujos pacientes necessitam urgentemente de opções melhores de tratamento.”

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