Os resultados positivos de quatro ensaios clínicos de medicamentos direcionados para o tratamento experimental de câncer de ovário, pulmão e tireoide e leucemia linfocítica crônica foram destaque na 50a Reunião Anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO).

Os resultados dos estudos sugerem novas maneiras de retardar a progressão das neoplasias e melhorar a sobrevida de pacientes que sofrem recaídas ou têm resistência aos tratamentos disponíveis. Segundo Gregory Mestres, médico oncologista no F. Graham Cancer Center Helen em Newark, esse é um dos maiores desafios no tratamento do câncer. “A boa notícia é que a medicina genômica está ajudando a superar esses desafios, revelando novas formas de atingir o funcionamento interno da célula de câncer. As pesquisas podem levar a novas opções de tratamento para pacientes que, até agora, não tinham nenhuma opção, ou para aqueles nos quais os efeitos colaterais das drogas atuais superam seus benefícios, como vemos muitas vezes com os nossos pacientes idosos com leucemia.”

Dentre os destaques está uma nova combinação de drogas específicas, o agente antiangiogênico cediranibe mais o inibidor de PARP olaparibe, que aumenta significativamente a sobrevida livre de progressão da doença em mulheres com câncer de ovário recorrente por mais de oito meses, em comparação com o uso do olaparibe sozinho. O estudo de fase II, financiado pelo governo, sugere que essa combinação pode ser uma alternativa eficaz à quimioterapia padrão.

Porém, essa abordagem ainda não está pronta para o uso clínico, uma vez que nenhuma dessas drogas está aprovada pelo FDA. “Precisamos de mais ensaios clínicos para confirmar os resultados desse estudo e ver como essa combinação se compara ao tratamento padrão”, afirma a autora principal do estudo Joyce Liu, professora de oncologia médica no Dana-Farber Cancer Institute, em Boston.

No tratamento do câncer de pulmão, o destaque foi o estudo REVEL fase III, um tratamento de segunda linha com o ramucirumabe mais o docetaxel, que prolonga a sobrevida de pacientes com câncer de células não pequenas avançado. Os resultados surpreenderam: foi a primeira vez em quase uma década que um ensaio clínico demonstrou um aumento de sobrevida signifiticativo. A média de sobrevida global foi de 10,5 meses com ramucirumabe em comparação com 9.1 meses do grupo placebo.

Os outros estudos em destaque são o RESONATE, de fase III, que mostra o uso do ibrutinibe para atrasar a progressão da doença e prolongar a sobrevida de pacientes com leucemia linfocítica crônica, resistente ou reincidente, e SELECT, também fase III, que sugere que o lenvatinibe pode ser altamente eficaz contra o câncer diferenciado de tireóide, resistente a radioterapia padrão.

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