Pesquisa publicada na revista médica The Lancet trouxe mais evidências para um debate que vem se fortalecendo na oncologia ao longo dos últimos anos. O estudo, conduzido por pesquisadores da London School of Hygiene &Tropical Medicine e do Farr Institute of Health Informatics apontou para um incremento no risco de desenvolver 10 dos tipos mais comuns de câncer em pessoas obesas.O levantamento é um dos mais completos já realizados sobre o assunto e relacionou o índice de massa corpórea (IMC) e câncer em uma base inédita de 5 milhões de adultos, no Reino Unido.

Segundo os pesquisadores, mais de 12 mil casos de câncer de alta incidência, como de útero, de cólon, de mama, de tireoide e leucemia, podem ser atribuídos ao excesso de peso e à obesidade.

“O número de pessoas que estão com sobrepeso ou obesidade está aumentando rapidamente tanto no Reino Unido quanto ao redor do mundo. E já é bem reconhecido que isto pode levar ao aumento da diabetes e das doenças cardiovasculares. O que nossos estudos mostram é que, se esta tendência continuar, também podemos esperar ver substancialmente mais pessoas com câncer”, afirmou o líder do estudo Krishnan Bhaskaran, da London School of Hygiene & Tropical Medicine, por meio de nota à imprensa.

Os pesquisadores estimam que, caso o IMC mantenha o mesmo ritmo de crescimento, devem-se desenvolver mais de 3 500 casos extras da doença a cada ano.

Usando registros clínicos do banco de dados geral do Reino Unido, os pesquisadores identificaram cinco milhões de indivíduos com 16 anos ou mais que estavam livres de câncer e os acompanharam por um período de 7,5 anos. O risco de desenvolver um dos 22 tipos de cânceres mais comuns, que representam 90% dos tumores diagnosticados no Reino Unido, foi medida de acordo com o IMC após o ajuste para fatores individuais como idade, sexo, tabagismo e nível socioeconômico.

Um total de 166,9 mil pessoas desenvolveram um dos 22 tipos de câncer estudados ao longo do período de acompanhamento. E o IMC foi associado com 17 dos 22 tipos específicos de tumores examinados. O estudo mostra que a cada 5 kg/m² de aumento no IMC foi associado com maior risco de câncer de útero (aumento de 62%), vesícula biliar (31%), rim (25%), colo do útero (10%), tireóide (9%) e leucemia (9%). O IMC superior também aumentou o risco global de câncer no fígado (19% de aumento), cólon (10%), ovário (9%) e cânceres de mama (5%), mas os efeitos sobre esses tipos de câncer variaram em relação ao IMC e a um mesmo nível de fatores individual como sexo e idade.

Com base nos resultados, os pesquisadores estimam que o excesso de peso pode ser responsável por 41% dos casos novos de câncer de útero e 10% ou mais dos casos de tumores na vesícula, rim, fígado e cólon, no Reino Unido.

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