Um dos novos alvos terapêuticos mais promissores para o desenvolvimento de drogas contra o câncer, o Axl é um receptor fundamental para a biologia da doença. Desempenha um papel importante na transição epitelial-mesenquimal (EMT), fator-chave da metástase e mecanismo de resistência a medicamentos empregados no tratamento de diversos tipos de câncer.

Publicado na revista Blood, o mais citado periódico peer-reviewed da área de hematologia, o artigo assinado por Ben-Batalla e colegas relata a pesquisa dirigida por Sonja Loges, do Centro Médico da Universidade de Hamburgo-Eppendorf, que identifica um papel significativo para o receptor de Axl na progressão e resistência terapêutica de LMA. Os resultados revelam um novo mecanismo Axl-dependente. O crescimento da proteína chamada Growth Arrest-specific  6 (Gas6)<strong> </strong>é ativado pelas células da medula óssea e facilita a proliferação celular da LMA, a sobrevivência e até os mecanismos de resistência pela ativação do receptor Axl. Assim, a chave é bloquear a atividade do Axl, o que está sendo investigado com o uso do inibidor seletivo batizado de BGB324, que mostrou reduzir a proliferação de LMA e induzir a apoptose, levando ao aumento da sobrevida em modelos pré-clínicos.

BGB324 é uma nova molécula inibidora da quinase de Axl, via oral, altamente seletiva. Estudos pré-clinicos in vivo demonstraram que ela tem atividade de agente único em tumores hematológicos e em alguns tumores sólidos, assim como se revelou eficaz até agora na prevenção e na inversão da resistência adquirida aos agentes citotóxicos. Em junho deste ano a BerGenBio, empresa biofarmacêutica de oncologia, anunciou o início do primeiro ensaio clínico Fase 1 desenhado para avaliar a segurança, tolerabilidade, farmacocinética e farmacodinâmica do BGB324.

Segundo Sonja, os resultados detalhados neste trabalho fornecem evidências para uma função específica do eixo Gas6-Axl na progressão da LMA. “Além disso, mostramos que o inibidor seletivo de Axl reduz a proliferação e induz a apoptose de células de doentes de LMA”, afirma.

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