De acordo com um estudo apresentado quarta-feira no San Antonio Breast Cancer Symposium, no Texas, uma forma mais rápida de radioterapia, que está se tornando cada vez mais popular para mulheres em estágio inicial de câncer de mama, pode não ser tão eficaz e segura como a radioterapia convencional.

O estudo, que analisou registros médicos de mais de 130 mil mulheres no sistema de saúde Medicare, observou que aquelas que foram submetidas ao tratamento mais rápido, chamado de braquiterapia, tiveram cerca de duas vezes mais chances de ser submetidas a uma mastectomia nos cinco anos seguintes – um sinal provável de que o câncer havia voltado – do que aquelas que receberam a radiação convencional de mama.

“Honestamente, fiquei um pouco chocado quando recebi esses dados pela primeira vez”, afirmou Benjamin D. Smith,  professor adjunto de radiação oncológica no MD Anderson Cancer Center e principal autor do estudo.

A braquiterapia geralmente usa um catéter para levar a radiação diretamente na cavidade deixada após um tumor ser removido cirurgicamente por uma mastectomia. Como a radiação é mais concentrada onde se presume ser necessário, o tratamento pode ser concluído em uma semana, em comparação com seis ou sete semanas para a radiação de toda a mama.

A braquiterapia tem se tornado mais popular, sendo utilizada em 13% das pacientes de câncer de mama do sistema Medicare que receberam lumpectomia e radioterapia em 2007. Em 2000, de acordo com estudo do MD Anderson, esse número era de menos de 1%.

Os críticos afirmam que, na ausência de evidências de que a técnica seja melhor para os pacientes, esse crescimento tem sido alimentado pelo marketing. Os principais fornecedores dos cateteres usados ​​para braquiterapia de mama são Hologic, Cianna Medical e CR Bard.

Smith diz que os custos da braquiterapia são duas vezes maiores que os 8 mil dólares pagos pela radiação em toda a mama. No entanto, algumas formas de radiação da mama toda são mais caras.

Ele e seus colegas examinaram os registros de Medicare de 130.535 pessoas que tinham um diagnóstico de câncer de mama em estágio inicial no período entre 2000 e 2007 e tiveram uma lumpectomia e radioterapia.

Cerca de 4% das pacientes tratadas com braquiterapia foram submetidas a uma mastectomia em cinco anos, comparado com 2,2% daquelas tratadas com a irradiação da mama inteira.

A braquiterapia também foi associada a uma maior taxa de infecções, o que já era de se esperar, pois o cateter é inserido na mama, além de uma maior taxa de fraturas de costelas, necrose gordurosa e dor mamária.

Um ponto fraco é que este não foi um estudo randomizado, portanto as diferenças nos resultados poderiam ser atribuídas a diferenças nas características dos pacientes que optaram por braquiterapia e aqueles que escolheram a radiação convencional. Segundo Smith, foram feitos ajustes para as diferenças conhecidas e o resultado se manteve. Mas nem todos se convenceram. Muitos enfatizam que a maior taxa de complicações da braquiterapia mostra que é necessária cautela.

Rakesh Patel, presidente da Sociedade Americana de Braquiterapia, disse que outros estudos, incluindo um ensaio clínico europeu randomizado, mostraram que a braquiterapia de mama foi equivalente em eficácia à irradiação da mama inteira em pacientes apropriados. Ele também disse que as mulheres poderiam ter tido mastectomias por outros motivos que não a recorrência do câncer.

Patel, que é diretor de serviços de câncer de mama na Western Radiation Oncology, uma clínica privada em Pleasanton, Califórnia, disse que a braquiterapia melhorou muito desde o tempo do estudo. “Houve uma evolução significativa e um avanço nos cateteres, assim como em nossos sistemas de planejamento de tratamento”, afirmou.

O National Cancer Institute está patrocinando um estudo clínico comparando a irradiação de toda a mama com a irradiação parcial da mama, incluindo a braquiterapia. Mas os resultados devem demorar vários anos. Muitos dos pacientes que recebem irradiação parcial da mama não estão recebendo a braquiterapia.

Fonte: New York Times

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