Jedd D. Wolchok apresenta na ASCO 2013 uma das grandes promessas no tratamento do melanoma avançado, tendo a imunoterapia como terapia stand-alone. Wolchok, do Memorial Sloan -Kettering Cancer Center, mostra os resultados de um estudo de fase I , sugerindo que a terapia combinada de ipilimumabe (Yervoy) e o anticorpo nivolumabe leva a uma diminuição duradoura do tumor em aproximadamente metade dos pacientes com o melanoma avançado, forma bastante agressiva da doença.

Ipilimumabe é hoje uma opção de tratamento padrão para melanoma avançado em muitos países. Nivolumabe, usado isoladamente, mostrou atividade promissora contra o melanoma e outros tipos de câncer. Ambos, nivolumabe e ipilimumabe são drogas que visam o sistema imunológico, os chamados”gatekeepers”, neste caso PD-1 e CTLA-4, respectivamente. Sua atividade objetiva liberar os freios do sistema imunológico e aumentar a sua capacidade de combater o câncer.

Este estudo de prova de princípio mostra que o uso concomitante de dois anticorpos oferece uma estratégia promissora para a terapia de melanoma avançado.

“As taxas de resposta completa ou quase completa são resultados sem precedentes para uma imunoterapia no melanoma e estamos impressionados que as duas drogas tenham funcionam tão bem juntas”, disse Wolchok. “Os pesquisadores de melanoma têm a esperança de que regimes de combinação possam aumentar a eficácia da imunoterapia, hoje através de um agente único. Agora temos a confirmação de que essa abordagem tem um potencial significativo”, concluiu.

Neste estudo, os pacientes com melanoma irressecável de fase III e fase IV (metastático) que já tinham sofrido até três terapias anteriores foram atribuídos a seis braços de tratamento diferentes. Os resultados atuais são baseados em 52 pacientes em três braços de tratamento concluídos, em que os pacientes receberam de forma concomitante as duas drogas.

Nos três braços, as taxas de redução do tumor foram de 21%, 53% e 50%, com maiores taxas observadas em pacientes tratados com a dose mais elevada de ambos os fármacos. As respostas ao tratamento foram rápidas para uma imunoterapia: três em cada quatro pacientes que responderam ao tratamento experimentaram redução do tumor nos primeiros três meses. A resposta é considerada mais rápida que a obtida através do uso do ipilimumabe como agente único. Trinta e um por cento dos pacientes (16 em 52) tiveram redução significativa do tumor em mais de 80%.

Embora os dados sejam ainda preliminares, parece que mesmo os pacientes que inicialmente tinham pouco benefício com o tratamento com ipilimumabe tiveram redução significativa do tumor após o tratamento posterior com nivolumabe.

Os efeitos colaterais foram administráveis para a maioria dos pacientes analisados. Um estudo randomizado de fase III da combinação nivolumabe / ipilimumabe como terapia de primeira linha para pacientes com melanoma em estágio avançado está programado para começar em junho de 2013.

“A imunoterapia como terapia stand-alone, sem quimioterapia, para uma doença devastadora como o melanoma avançado é um tremendo avanço. Estamos identificando as terapias que parecem ter melhores resultados juntas que sozinhas, e este estudo parece promissor , ainda que considere apenas um pequeno subgrupo de pacientes”, diz Sandra M. Swain, que este ano se despede como presidente da ASCO.

revista-onco

Oncologia para todas as especialidades.