Protocolo de tratamento envolve combinação de daratumumabe com outras duas drogas

 

Os resultados iniciais de um estudo de fase III mostraram que daratumumabe (Darzalex) adicionado a um regime de duas drogas padrão (bortezomibe e dexametasona) apresentou resultados significativos de sobrevida global e sobrevida livre de recidiva para pacientes com mieloma múltiplo.

A combinação de daratumumabe reduziu o risco de progressão do câncer em 70% e dobrou as taxas de resposta parciais de 29% para 59% e as taxas de resposta completa de 9% para 19%. O daratumumabe, o primeiro anticorpo monoclonal aprovado para o mieloma múltiplo, tem como alvo uma proteína na superfície das células cancerosas chamada CD-38.

Estes dados foram apresentados em sessão plenária da Asco, que destacou quatro estudos, de todo o encontro, considerados como tendo o maior potencial para impactar o tratamento.

“Já suspeitávamos que o CD- 38 fosse o alvo principal do tratamento para o mieloma múltiplo, mas estes resultados são sem precedentes para esse tipo de câncer”, disse o autor do estudo Antonio Palumbo, chefe da unidade de mieloma no Departamento de Oncologia da Universidade de Torino em Turim, Itália. “Está claro agora que caminhamos para um regime de três drogas com o daratumumabe como o padrão de tratamento.”

Este primeiro ensaio clínico randomizado de daratumumabe incluiu cerca de 500 pacientes com mieloma múltiplo recorrente ou refratário. Os pacientes receberam oito ciclos de qualquer um dos regimes, seguido por daratumumabe.

“O daratumumabe é um medicamento de ação rápida ─ em muitos casos, os tumores reduziram em apenas um mês. Como resultado do encolhimento e crescimento tumoral mais lento, os pacientes tiveram menos dor e uma melhor qualidade de vida”, disse Palumbo.

O médico observou que o daratumumabe não piorou substancialmente os efeitos colaterais mais comuns do regime padrão. Os pacientes estudados apresentaram taxas ligeiramente mais elevadas de toxicidade hematológica, infeções e a neuropatia periférica.

O daratumumabe é um dos primeiros medicamentos com a capacidade de matar diretamente as células do mieloma e, ao mesmo tempo, estimular a resposta do sistema imune para atacar o tumor. O efeito direto sobre o tumor explica o encolhimento rápido, enquanto o efeito de ativação do sistema imunológico gera respostas prolongadas ao tratamento.

O FDA – órgão regulador americano – concedeu ao daratumumab uma aprovação acelerada em novembro 2015 com base nos resultados de um estudo não randomizado de fase II.

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