Entre os estudos que a Sociedade Americana de Oncologia Clínica procurou dar destaque em sua 50ª reunião anual, diversos apontavam estratégias para reduzir efeitos colaterais de curto e longo prazo do tratamento do câncer e melhorar a qualidade de vida, tanto dos pacientes como de seus acompanhantes.

“Fizemos avanços incríveis no tratamento do câncer e temos mais sobreviventes agora do que tínhamos nos passado. Mas oncologia não é apenas ajudar as pessoas a viverem mais. Nós precisamos nos assegurar que os pacientes tenham a melhor qualidade de vida possível em cada etapa de sua ‘jornada do câncer’”, disse Patricia Ganz, diretora do Jonsson Comprehensive Cancer Center, da University of California, que coordenou a mesa de apresentações sobre melhora da qualidade de vida.

Entre as pesquisas apresentadas, havia desde bons resultados com a redução de quimioterápicos até os efeitos positivos da antecipação dos cuidados paliativos, afetando não apenas à vida dos pacientes como de seus cuidadores também.

Nessa linha, um dos estudos mais comentados foi o que apontou a preservação da fertilidade de mulheres que se tratam de câncer de mama ao realizar supressão hormonal com goserelina em conjunto com a quimioterapia. Na pesquisa, as mulheres que receberam essa linha de tratamento mostraram 64% menos possibilidade de desenvolver falência prematura dos ovários do que as mulheres que receberam apenas quimioterapia. A conjunção entre o tratamento hormonal e o quimioterápico também aumentou a possibilidade de gestação após o tratamento. “Preservar a fertilidade é uma preocupação comum e importante entre as mulheres mais jovens diagnosticadas com câncer e esses resultados apontam para uma opção simples e nova para mulheres com câncer de mama e, possivelmente, outros tipos de câncer”, afirmou Halle Moores, uma das autoras do estudo, da Cleveland Clinic, em Ohio. “A goserelina se mostrou não apenas bastante segura, como efetiva ao aumentar as chances de gravidez e parto de um bebê sadio após a quimioterapia.”

O estudo envolveu 257 pacientes, randomizadas em dois braços. Um recebeu o tratamento padrão, com apenas quimioterapia, e o outro recebeu também a goserelina. Ao final de dois anos, 8% das mulheres que receberam goserelina apresentaram falência dos ovários, contra 22% das que foram tratadas apenas com quimioterapia.

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