O câncer de mama não é comum em mulheres mais jovens. Apenas 1,8% dos casos são diagnosticados em mulheres de 20 a 34, e 10% em mulheres de 35 a 44. No entanto, quando isso ocorre, a doença tende a ser mais letal, e os estudiosos não abem porque isso ocorre.

Segundo estudo publicado no The Journal of the American Medical Association, a incidência de câncer de mama avançado em mulheres mais jovens, com idades entre 25 e 39 anos, pode ter aumentado ligeiramente nas últimas três décadas. A pesquisa de Rebecca Johnson, diretora-médica do programa de oncologia em adolescentes e jovens adultos do Hospital Infantil de Seattle, analisou estatísticas de câncer e descobriu que o número de casos avançados subiu de 1,53 por 100 mil mulheres em 1976 para 2,9 a cada 100 mil mulheres jovens em 2009 – um aumento de 1,37 casos a cada 100 mil mulheres em 34 anos. Os números totais foram de cerca de 250 casos por ano em meados dos anos 1970 para mais de 800 por ano em 2009.

Apesar de pequeno, o aumento foi estatisticamente significativo, e os pesquisadores disseram ser preocupante pois envolveu um câncer que já havia se espalhado para órgãos como fígado ou pulmões no momento do diagnóstico, o que diminui muito as chances de sobrevivência. Os autores do estudo não sabem o que pode ter causado o crescimento aparente, e afirmam que mais pesquisas são necessárias para confirmar a descoberta, que foi baseada em uma análise de estatísticas.

O estudo é baseado em informações de 936.497 mulheres que tiveram câncer de mama de 1976 a 2009. Destes, 53.502 eram de 25 a 39 anos, incluindo 3.438 que tinha câncer de mama avançado (metastático). Segundo os pesquisadores, as mulheres mais jovens foram as únicas em quem a doença metastática parecia ter aumentado. Os pesquisadores analisaram dados do SEER, um programa do National Cancer Institute para coletar estatísticas de câncer em 28% da população dos Estados Unidos. O estudo também usou dados anteriores, quando o SEER era menor.

Por enquanto, o único conselho que os pesquisadores podem oferecer às mulheres jovens é que saibam que não é porque são jovens e saudáveis, ou não tem histórico familiar da doença, que não podem ter câncer de mama. Elas devem procurar um médico rapidamente caso notem nódulos, dor ou outras alterações na mama.

Johnson observou que não há provas de que o rastreamento ajude as mulheres mais jovens que tenham risco médio para a doença e não observaram sintomas. “Nós certamente não estamos defendendo a antecipação da mamografia para mulheres jovens”, diz. Grupos de peritos divergem sobre quando deve começar a triagem, se aos 40 ou 50 anos de idade.

Alguns especialistas questionaram se o aumento era real, e expressaram a preocupação de que o relatório possa assustar as mulheres desnecessariamente. Donald Berry, especialista em dados de câncer de mama e professor de bioestatística da Universidade de Texas e do MD Anderson Cancer Center, em Houston, disse que estava em dúvida sobre a descoberta, porque apesar de estatisticamente significativo, o tamanho do aumento aparente era pequeno – 1,37 casos por 100 mil mulheres ao longo de 30 anos. “Mais triagem e testes mais precisos para identificar o estágio do câncer no momento do diagnóstico podem ter contribuído para esse aumento”, afirmou.

Michelle Esser, porta-voz da Young Survival Coalition, um grupo de defesa de mulheres jovens com câncer de mama, também questionou se testes de diagnóstico melhores e estadiamento podem explicar todo ou parte do aumento. “Nós estamos olhando para estes dados com cautela. Não queremos provocar alarme”, disse Esser. Segundo ela, é importante notar que os resultados se aplicam apenas às mulheres que tiveram a doença metastática no momento do diagnóstico, o que não implica que as mulheres que já tiveram câncer em estágio inicial enfrentaram um risco aumentado de doença avançada.

Fonte: New York Times

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