Fechando a conta da qualidade

A gestão em saúde é um dos pontos importantes abordados no congresso desse ano. Quando
incorporar novas tecnologias e tratamentos ou não? Que estratégias usar para conter custos e
garantir a qualidade do atendimento? São algumas das perguntas que vão permear o debate sobre o tema. O diretor executivo do Grupo Oncologia D’Or, Rodrigo Abreu e Lima, é um dos atores envolvidos na questão e conta em entrevista um pouco sobre esse debate.

A pressão dos custos com saúde é crescente no país e na oncologia ainda maior, com o advento de novos tratamentos de alto impacto financeiro. Como resolver essa questão? O que será debatido sobre esse tema no congresso?

Há três anos que nós colocamos na mesma mesa vários agentes do setor de saúde para conversar sobre esse assunto dentro do congresso. Teremos este ano a participação da Tereza Veloso, da Sulamerica, representando os planos de saúde. Trazemos sempre também uma gestora da saúde, neste ano D’Or Consultoria, que ajuda o RH das empresas a melhorar a gestão de saúde de seus colaboradores. Colocamos alguém de agência reguladora, neste ano o Leandro Carvalho, que é da Rede D’Or São Luiz e já foi presidente da ANS. E teremos eu representando o prestador de oncologia. Este ano chamamos ainda um representante de um fornecedor, o Humberto Isidoro, diretor-gerente da Varian Medical no Brasil.

O objetivo é justamente discutir a sustentabilidade do setor. No caso da oncologia, o desenvolvimento de novas drogas traz um benefício enorme para os pacientes, mas sempre associado a um custo muito grande. O que viemos tentando é fazer com que esse setor seja sustentável, que a droga ou nova tecnologia que traz real benefício seja usada, mas com a indicação correta, no tempo correto e não de maneira inadvertida. Focamos também a relevância da detecção precoce e prevenção. Que consigamos fazer algumas medidas de prevenção de doenças oncológicas preveníveis, com vacinação de HPV e detecção precoce de câncer de mama, como estimular essas ações e evitar que o custo final seja muito alto. A grande discussão hoje é tentar eliminar o desperdício ao máximo, evitando procedimentos desnecessários, que não trazem real benefício para o paciente, para que o custo final seja o melhor possível. A responsabilidade é compartilhada com todos esses agentes.

A prevenção deve ser encarada como um investimento a longo prazo, correto?

Sempre de longo prazo. E é importante fazer sempre em parceria com outros agentes do mercado. Desde a informação, fazendo campanhas em conjunto com panos de saúde e RH das empresas, até o estímulo à detecção precoce nas doenças em que ela faz realmente resultado, como no câncer de mama, em que o diagnóstico precoce aumenta a sobrevida e a qualidade devida. Mas acho que é uma responsabilidade da cadeia com um todo. Aí a união é muito mais forte do que uma medida isolada de uma empresa ou instituição.

O Congresso tem trazido a multidisciplinaridade e o cuidado integral cada vez na programação. Como esse olhar pode ajudar na garantia da qualidade e na redução dos custos?

No caso da oncologia é importante sempre discutir o último ano de vida do paciente, onde os gastos são sempre maiores. E aí a presença dos cuidados paliativos é fundamental, pois além de aliviar o sofrimento do paciente, reduz esse custo.

O câncer é cada vez mais uma doença crônica e temos que colocar o paciente cada vez mais no centro do cuidado, pensar nele como um todo. Vamos pensar cada vez mais no conceito de multidisciplinaridade e trazer outros profissionais que agregam a esse conceito. O objetivo maior é trazer o maior benefício para o paciente.

Na medicina moderna, é papel de cada profissional, o sentimento de equipe, a função do enfermeiro, farmacêutico, paliativista, nutricionista, cardiologista, cirurgião, oncologista. Todos atuando juntos. Caminhamos para uma medicina personalizada e temos que fazer isso com muita racionalidade.

Qual a contribuição do Grupo Oncologia D’Or neste processo?

Quando falamos em tecnologia em saúde, temos que pensar em como fazer o investimento, que tem que atrelar qualidade e segurança, trazer sobrevida ou pelo menos diminuir o custo final de tratamento. Tirando essas três indicações, essa inserção de tecnologia tem que ser extremante discutida. Outro ponto importante que o Grupo Oncologia D’Or tem investido bastante, é tentar acabar com assimetria de informação. As instituições precisam começar a pensar em compartilhar dados assistenciais e de custo para permitir ações em conjunto para beneficiar o paciente e agir no custo final, garantindo a sustentabilidade do setor. No grupo já temos uma base de dados única, um RT que é o Tasy, e teremos agora um hospital oncológico em São Paulo com uma nova modalidade Tasy mais amigável. A integração entre esses bancos de dados vai permitir que a gente possa compartilhar essas informações com alguns agentes de mercado importantes.

 

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Jornal dia 01 
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Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.