Uma das últimas tentativas para aumentar as defesas do organismo contra o câncer é a chamada transferência de células adotivas, em que os pacientes recebem uma injeção terapêutica de suas próprias células imunes. Esta terapia, atualmente testada em estudos clínicos de melanoma e neuroblastoma em estágios iniciais, tem suas limitações: remover as células imunes do paciente e cultivá-las fora do corpo para futura re-injeção é extremamente caro e nem sempre tecnicamente viável.

Cientistas do Instituto Weizmann testaram uma nova forma de transferência de células adotivas em camundongos que supera estas limitações, ao mesmo tempo que aumenta a capacidade das células transferidas de combater o tumor. A pesquisa, publicada recentemente na revista Blood, foi realizada no laboratório do professor Zelig Eshhar, do Departamento de Imunologia do Instituto, pelo estudante de pós-graduação Marcus Assaf e pelo técnico de laboratório Tova Waks.

A nova abordagem deve ser mais facilmente aplicável do que os tratamentos de transferência de células adotivas existentes porque ela depende de um pool de doadores de células T imunes que podem ser preparadas com antecedência, ao invés de células do próprio paciente. Além disso, usando um método pioneiro do professor Eshhar de mais de duas décadas atrás, estas células T são equipadas com receptores que procuram e identificam especificamente o tumor, promovendo assim a sua destruição.

No estudo, os cientistas primeiro suprimiram o sistema imunológico de ratos com uma dose de radiação relativamente suave. Então, administraram uma dose controlada das células T modificadas do doador. A supressão leve impediu temporariamente as células T do doador de serem rejeitadas pelo recipiente, mas não impediu que as próprias células atacassem o corpo do receptor, particularmente o tumor. Esta abordagem foi precisamente o que tornou o tratamento tão eficaz: o atraso na rejeição das células T do doador deu a essas células a oportunidade para destruir o tumor. Se este método funcionar em seres humanos tão bem quanto nos ratos, pode resultar em uma terapia de transferência celular acessível para uma ampla variedade de tipos de câncer.

A pesquisa do Prof Zelig Eshhar tem o apoio do M.D. Moross Institute for Cancer Research; do Kirk Center for Childhood Cancer and Immunological Disorders; Leona M. and Harry B. Helmsley Charitable Trust 50; e do espólio de Raymond Lapon.

Fonte: Weizmann Institute of Science

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