Mulheres fazendo uso de digoxina têm um risco aumentado de câncer de mama, segundo um estudo com mais de 2 milhões de dinamarquesas.

Quimicamente, o agente inotrópico digoxina lembra o estrógeno e é conhecido por ter efeitos muito parecidos com os do hormônio. Esse fato levou pesquisadores a investigar se, como o estrógeno, ele também pode aumentar o risco de câncer em mulheres mais velhas.

Num artigo no Journal of Clinical Oncology, os autores reportaram que cerca de 2% das mulheres que fizeram uso de digoxina em algum momento do estudo eventualmente desenvolveram câncer de mama.

Mulheres que já haviam usado a digoxina tinham o mesmo risco que aquelas que nunca haviam usado a droga, enquanto aquelas atualmente fazendo uso tinham cerca de 40% mais probabilidade de desenvolver o câncer de mama.

O risco extra “não vale nada”, segundo Timothy Lash do Aarhus University Hospital na Dinamarca, um especialista em câncer de mama que não está envolvido no estudo, mas acrescentou que que ele é menos impressionante se você considerar quão poucas mulheres realmente desenvolveram a doença.

Para o novo estudo, pesquisadores liderados por Robert Biggar do Statens Serum Institute em Copenhagen, na Dinamarca, recorreu a dois bancos de dados nacionais para prescrições e estatísticas de câncer.

Cerca de 100 mil mulheres com 20 anos ou mais usaram digoxina em algum momento durante o estudo, que rastreou mulheres por cerca de 12 anos.

A chance de desenvolver câncer de mama era mais alta em mulheres que estavam em seu primeiro ano de terapia com digoxina. Depois o risco se reduzia, mas subia lentamente de novo depois de três ou mais anos de uso da droga.

Um estudo como esse não mostra se a digoxina leva a câncer de mama em algumas mulheres. E mesme que isso ocorra, os benefícios cardíacos podem compensar o risco, disseram os pesquisadores no artigo.

Portanto os achados não significam que as mulheres devem evitar a digoxina, disse Lash. As mulheres usando a droga “estão recebendo digoxina porque elas játêm uma doença crônica razoavelmente séria”, explicou.

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