Pacientes com câncer que não participam das tomadas de decisão referentes a seu tratamento tendem a ter uma avaliação menos positiva sobre a qualidade dos cuidados do que aqueles que acompanham mais de perto as escolhas da equipe médica. É o que indica um estudo conduzido pelo Dr. Kenneth Kehl, do MD Anderson Cancer Center. “Descobrimos que pacientes com tumores de pulmão ou colorretal que se sentiam mais envolvidos nas tomadas de decisão sobre o tratamento tinha uma melhor percepção sobre a qualidade do cuidado recebido e da comunicação com seus médicos”, afirma Kehl.

Apesar de acreditar que o resultado evidencia a importância de se compartilhar as decisões com os pacientes, os pesquisadores dizem não ter reunido evidências se as decisões conjuntas afetam de alguma forma a qualidade do tratamento.

Segundo o levantamento, mesmo pacientes que afirmam ter preferências por médicos que controlem sozinhos todas as decisões clínicas demonstram, ao final do tratamento, maior satisfação com as decisões compartilhadas.

A pesquisa foi publicada no JAMA Oncology e resultou de uma coleta de dados com mais de 5.300 pacientes com câncer de pulmão ou de cólon. Esses pacientes relataram seu papel em mais de 11 mil decisões sobre o tratamento, comentando tanto sobre sua percepção da qualidade do cuidado como o quão efetiva foi a comunicação com os médicos.

A maioria, 58%, apontou preferir uma decisão compartilhada, enquanto 6% disseram não querer se envolver na escolha das condutas. O restante, 36% preferiria um cenário em que apenas a opinião do paciente contasse. Na prática, 44% das decisões foram compartilhadas, 39% couberam ao pacientes (sobretudo sobre cirurgias) e 17% foram tomadas pelos médicos sozinhos.

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