No congresso da Sociedade Americana de Hematologia em 2017, foi apresentado em sessão oral o estudo CENTAURUS, de fase 2, onde foi avaliado o tratamento com daratumumabe em monoterapia nos pacientes com smoldering mieloma (mieloma assintomático) de risco intermediário e alto.

Foram incluídos mais de 120 pacientes que foram randomizados em uma proporção de 1:1:1 para 3 grupos: uso prolongado, intermediário e curto de daratumumabe. Foram observadas altas taxas de remissão conforme o tempo de uso da medicação: 56% e 54% nos pacientes que fizeram uso no esquema mais longo e por um período intermediário, respectivamente, mas em apenas 38% no grupo que utilizou a medicação por somente um ciclo.

A sobrevida livre de progressão em 12 meses foi de 95%, 88% e 81% nos braços de uso de daratumumabe de longa, intermediária e curta duração, respectivamente. Além disso, a medicação foi extremamente bem tolerada, o que está em conformidade com os estudos realizados anteriormente com o daratumumabe em uso isolado.

Desta forma, há uma possível mudança de paradigma dentro da oncohematologia, uma vez que se verificou que o daratumumabe apresenta eficácia e segurança para o tratamento de pacientes com smoldering mieloma de risco intermediário e alto, principalmente quando utilizada por mais tempo.

Esses achados devem ser repetidos em novos estudos e servirão de base para um estudo de fase 3, o AQUILA, para confirmação do papel do daratumumabe em uso isolado nos pacientes com smoldering mieloma.

 

Por Juliane Musacchio, hematologista

*Conteúdo com patrocínio Janssen