Por mais que a compra e manutenção de equipamentos para a realização de cirurgias robóticas sejam gastos que muitas vezes pesam no orçamento das instituições de saúde, a utilização dessas técnicas em operações como prostatectomias e cistectomias tende a compensar no médio e longo prazo. É isso o que acredita o urologista John Davis, do MD Anderson Cancer Center, no Texas. Apesar de os valores absolutos para a realização da cirurgia robotizada serem maiores do que o custo das prostatectomias abertas, o médico americano aponta que a soma total dos gastos com o paciente após um ano da cirurgia tendem a ser ligeiramente menores no caso da robótica. Isso ocorreria porque a operação realizada com auxilio de robôs acaba resultando em menos complicações para o paciente do que a cirurgia aberta. Davis fez uma apresentação sobre o assunto durante o I Simpósio Internacional de Tratamento Multidisciplinar de Uro-Oncologia, realizado no Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo. Alguns dados mostrados por ele em sua palestra sobre o tema apontam um custo total de 24 336 dólares para as operações tradicionais contra um gasto de 23 101 dólares com os pacientes submetidos a prostatectomias robotizadas ao se completar um ano da realização do procedimento.

A visão de Davis, porém, não é uma unanimidade. Alguns médicos, como o também urologista Eric Klein, chairman do Glickman Urological & Kidney Institute, de Cleveland, defendem os benefícios da cirurgia aberta. Klein também falou sobre o assunto no simpósio. “Por mais que em aspectos como disfunção erétil e incontinência urinária a cirurgias aberta e robótica tenham resultados similares, a aberta tem vantagens como o tempo de operação e de permanência do paciente no hospital”, afirma Klein, que só realiza cirurgias abertas. Ele também citou o caso de pacientes que têm um retorno às atividades normais – inclusive às práticas esportivas – rapidamente.

Segundo Davis, os pontos que ainda pesam contra a operação robótica devem ser resolvidos conforme os cirurgiões forem ganhando mais experiência. “Hoje já temos resultados muito melhores do que no quando a técnica foi introduzida. Cirurgiões experientes têm alcançado resultados fantásticos”, diz. Segundo ele, os conhecimentos adquiridos com a prática da prostatectomia devem beneficiar outros procedimentos, como as cistectomias. “A curva de aprendizado de um cirurgião que já faz a prostatectomia robotizada é muito mais rápida para transitar para outros procedimentos.”

O I Simpósio Internacional de Tratamento Multidisciplinar de Uro-Oncologia foi realizado entre os dias 14 e 15 de fevereiro, no Hospital Israelita Albert Einstein, e contou com a participação de médicos de diversas especialidades interessados no tratamento dos cânceres urológicos, como oncologistas, radioterapeutas e urologistas, de diversas partes do Brasil e do mundo. Entre os temas debatidos estiveram as melhores práticas e procedimentos para os cânceres de próstata, bexiga, rins e testículos. Algumas das palestras foram proferidas por referências mundiais no assunto, como Sophie Fossa e Michael Jewett. A próxima edição do evento está programada para os dias 13 e 14 de março de 2015. “A ideia é sempre fazer em datas próximas à ASCO GU, para que possamos trazer alguns dos melhores debates de lá para cá”, afirmou o oncologista Óren Smaletz, membro da Comissão Organizadora do evento.

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