Um corante que rastreia tumores e brilha sob luz fluorescente ajuda a guiar os médicos durante uma cirurgia de câncer. Médicos holandeses usaram ​​recentemente o corante para iluminar as células de câncer de ovário durante uma cirurgia em um pequeno estudo com dez pacientes.

“O câncer de ovário é notoriamente difícil de se ver, e esta técnica permitiu aos cirurgiões detectar um tumor 30 vezes menor que o menor tumor que poderiam detectar usando as técnicas padrão”, disse o professor de química da Purdue University, Philip Low, que inventou o corante. “Ao melhorar drasticamente a detecção do câncer ao – literalmente – iluminá–lo, a remoção do câncer é extremamente facilitada”.

Os resultados do estudo foram publicados na revista Nature Medicine.

A remoção cirúrgica do câncer geralmente é seguida por outros tratamentos, como quimioterapia, que funcionam melhor quanto menos células neoplásicas restarem no organismo.

“Com câncer de ovário está claro que quanto mais você puder remover do câncer, melhor o prognóstico para o paciente,” disse Low. “É por isso que optamos por começar com câncer de ovário. Parecia ser o melhor lugar para começar a fazer a diferença na vida das pessoas.”

Segundo Low, embora os pesquisadores tenham testado o corante em pacientes com câncer de ovário, ele acredita que a mesma estratégia possa ser utilizada para 40% dos tipos de câncer.

Veja abaixo a cavidade peritoneal um paciente com câncer de ovário visto a olho nu (esquerda) ou com o auxílio do corante (à direita).

Imagem: Philip Low

O corante está ligado ao ácido fólico – uma vitamina absorvida em diferentes graus pelas células. O câncer de ovário tem uma das taxas mais elevadas de expressão do receptor de ácido fólico. Mas os cânceres de pulmão, rim, endométrio, mama e cólon também podem expressar o receptor.

Outros corantes têm sido mostrados para identificar e iluminar tumores. Mas Low afirma que seu corante é muito mais específico, oferecendo um melhor contraste entre os tumores e os tecidos saudáveis ​​que os cercam.

Ele e sua equipe pretendem trabalhar com a clínica Mayo na próxima fase de estudos clínicos. Nesse intervalo, vão continuar a trabalhar para melhorar o corante.

“Queremos ser capazes de ver mais profundamente no tecido, para além da superfície. Tipos diferentes de câncer têm tumores com características diferentes, e alguns se alastram mais profundamente no tecido. Vamos continuar a evoluir esta tecnologia e fazer melhorias que ajudem os pacientes com câncer. ”

Fonte: ABC News

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