A partir do dia 1º de agosto a medicina paliativa passou a ser reconhecida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) como uma especialidade médica. A especialidade busca melhorar a qualidade de vida de pacientes com doenças crônicas ou em fase terminal, aliviando a dor e os sintomas. Além disso, com a atuação de uma equipe multidisciplinar, a medicina paliativa oferece um suporte emocional, psicológico e social para o paciente e seus familiares.

Segundo resolução do CFM, os profissionais terão de cursar um ano a mais para receber o título de paliativista, que será concedido pela Associação Médica Brasileira (AMB). A presidente da Academia Nacional de Cuidados Paliativos, Maria Goretti Maciel, acredita que quando se cria uma especialidade, começa a se organizar um conhecimento no campo científico. ““Criamos a Academia Nacional de Cuidados Paliativos em 2005 e já tínhamos esse objetivo. O conhecimento já existe, mas os serviços passam a se organizar dentro das normas do conhecimento exigido. Começa a ser possível ter um controle de qualidade. Não posso dizer que sou oncologista se não tenho esse conhecimento. A mesma coisa serve para cuidados paliativos. Agora, para se dizer especialista, é preciso fazer o curso de especialização. O paliativista vai ter que ter formação.”

Segundo ela, as pessoas têm uma ideia romântica, fantasiosa ou muito caridosa da medicina paliativa. “Na verdade é tratamento como outro qualquer. Claro que é um cuidado mais humano, individualizado, mas é uma prática baseada em evidências científicas. A regulamentação tira o empirismo, o “achismo”, estimula o ensino, a pesquisa, é dá mais segurança e qualidade para o paciente. Além disso, as ações também passam a ser remuneradas adequadamente”, diz.

Além da medicina paliativa, o CFM reconheceu mais três novas áreas como especialidades: medicinas da dor, do sono e tropical. As novas subespecialidades foram reconhecidas ao mesmo tempo pelo conselho, pela Associação Médica Brasileira e pela Comissão Nacional de Residência Médica. Cada uma delas exige como pré-requisito a formação em outro tipo de especialidade. Para a medicina paliativa as especialidades exigidas são Clínica Médica, Cancerologia, Geriatria e Gerontologia, Medicina de Família e Comunidade, Pediatria e Anestesiologia.

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