O segundo dia do V Congresso Internacional Oncologia D’Or vai trazer vários assuntos de debate na oncologia que contribuem para a atualização profissional. Confira os principais destaques que serão apresentados no sábado em cada módulo.

Multidisciplinar 

Médicos e não médicos trabalham em conjunto
Com o objetivo de estabelecer blocos com debates interativos relacionados ao tema “Segurança no cuidado oncológico, o módulo multidisciplinar convidou profissionais de diversas áreas do cuidado ao paciente com câncer. O oncologista Gilberto Lopes, por exemplo, irá falar sobre os “Esforços da ASCO com relação a qualidade” no cuidado. “Um grande exemplo de qualidade no cuidado é um artigo que mereceu uma apresentação oral no último congresso da ASCO, que aborda a coordenação do cuidado como melhoria na qualidade de vida dos pacientes”, comenta Edivaldo Bazilio, diretor assistencial e de qualidade do Grupo Acreditar. “Contaremos com um bloco onde médicos e enfermeiros discutirão a ‘Governança clínica como instrumento de Qualidade e Segurança em unidades ambulatoriais: uma visão multidisciplinar’, destacando os avanços na área.”
Outro tópico do módulo, pontuado por Bazilio, é o encontro entre profissionais médicos e não médicos para debater temas como a biossegurança na manipulação de agentes antineoplésicos, o planejamento do cuidado, laserterapia na prevenção da mucosite oral. Espaço também para a presença da blogueira Vania Castanheira para debater, com profissionais médicos e psicólogos, a “Abordagem do paciente com câncer em uma visão multidisciplinar”.
 
Mama
Herceptin e pertuzumabe: hora de incorporar?
O módulo de mama traz entre os destaques o pesquisador e oncologista clínico Evandro de Azambuja (Breast European Adjuvant Study Team – BrEAST, Béligica). Azambuja vai abordar a terapia adjuvante do câncer de mama HER-2 positivo com herceptin subcutâneo e pertuzumabe adjuvante, questionando se é hora de incorporar esses tratamentos. A discussão vai levar em conta os benefícios dos medicamentos e seu custo elevado.
“É um ponto crítico saber se, e em que casos, devemos incorporar o pertuzumabe adjuvante considerando a pequena redução de risco de recidiva em contraponto a uma elevada toxicidade financeira”, comenta o coordenador do módulo Gilberto Amorim. “Já o herceptin subcutâneo parece ter mais vantagem ao trazer maior conforto para muitas pacientes, por ser administrado em uma rápida injeção em vez da clássica infusão de 30-90 minutos com custo similares.” 
Azambuja também vai abordar os avanços no tratamento adjuvante da doença avançada triplo negativo BRCA mutada e HER 2 positivo. O módulo de mama conta ainda com o italiano Virgilio Sacchini (Memorial Sloan-Kettering Cancer Center) que vai discutir a abordagem das pacientes de alto risco.
 
Hemato
Variedade de temas
Contemplando de discussões de técnicas inovadoras e de incorporação tecnológica no diagnóstico e tratamento das principais doenças oncohematológicas, o módulo abordará temas variados como leucemias, dentre elas a LLA e a LLC e mieloma múltiplo. “Haverá uma atualização dos principais estudos clínicos realizados nessas áreas de interesse. Além disso, serão discutidas as indicações, os aspectos clínicos e os avanços no transplante de medula óssea, conforme a experiência do nosso serviço”, comenta Juliane Musacchio, coordenadora da Equipe de Hematologia do Grupo Oncologia D’Or e uma das coordenadoras do módulo.
O debate também deve contemplar o Linfoma de Células do Manto (LCM), uma doença heterogênea, assim como os pacientes que a apresentam. “Isto impõe a necessidade de que diretrizes sejam apropriadas, com abordagens terapêuticas individualizadas com base em uma variedade de fatores”, comenta outra responsável pelo módulo, a oncologista Davimar Maciel Borducchi, coordenadora da Hematologia da Central Clinic. “Embora a maioria dos pacientes com LCM requeira tratamento ao diagnóstico, cerca de um quarto pacientes podem não necessitar de terapia inicial”, complementa afirmando, ainda, que mesmo a doença permanecendo incurável, terapias alvo-direcionadas podem ser incorporadas a esquemas de primeira linha, poupando, assim, alguns pacientes das toxicidades associadas a regimes mais intensivos.
Robótica
Espaço para temas controversos
O módulo de Cirurgia Robótica Genitourinário trará temas bastante atuais e controversos que envolvem o uso desta tecnologia no tratamento do câncer do trato urinário. O espaço terá a presença de urologistas nacionais e internacionais, contando com a parceria da University of South California (USC) e seus professores. “Os palestrantes têm enorme experiência em cirurgia robótica para ser dividida com a plateia em sessões expositivas e discussões interativas”, comenta o uro-oncologista Murilo Luz, coordenador do Programa de Cirurgia Robótica Rede D’Or São Luiz e um dos responsáveis pelo módulo. “Além de falarmos sobre avanços específicos desta modalidade no tratamento das neoplasias de bexiga, rim e próstata, abordaremos também aspectos ligados aos custos com estes procedimentos e como controlá-los, bem como aspectos técnicos das novas versões do equipamento e realidade dos atuais modelos de treinamento”, completa. Entre os temas mais controversos está a linfadenectomia de resgate em neoplasias de próstata, procedimento que ainda busca a melhor indicação de benefício a longo prazo.  
 
Pesquisa Clínica
Inovação em foco
O módulo de pesquisa clínica –  coordenado por Carlos Gil Ferreira e Tatiane Montella (Oncologia D’Or), Marcelo Reis (IDOR) e – vai trazer um debate sobre os modelos de estudo em oncologia, ética e as perspectivas para o futuro no Brasil e no mundo. Contará com uma aula magna do pesquisador e oncologista Ben Solomon (Peter MacCallum Cancer Centre e University of Melbourne, Austrália) sobre a pesquisa translacional na área. Solomon conduz pesquisas de fase 1 e 3 sobre câncer de pulmão com imunoterapia e terapia-alvo, tendo liderado o ensaio com crizotinibe que levou à aprovação da droga no tratamento de câncer de pulmão não pequenas células com rearranjo de ALK.
O módulo também vai trazer a experiência do Instituto D’Or de Pesquisa e Ensino (IDOR) com pesquisa clínica e resultados de pesquisa em andamento em oncologia, como um estudo sobre fusões raras no adenocarcinoma de pulmão no Brasil, apresentado por Tatiane Montella. Além de um panorama sobre os cânceres hereditários.
A questão do acesso e economia da saúde é outro ponto alto do módulo, com discussões sobre novos modelos de financiamento e pesquisa, estratégias de realocação de recursos e os custos incrementais em oncologia.
 
Encerramento
Para quebrar o gelo
Entre icebergs, água do oceano a perde de vista e o azul do céu. Esse é o cenário de grande parte da vida do aventureiro e velejador Amyr Klink, convidado para a palestra de encerramento do V Congresso Internacional Oncologia D’Or. 
Klink ficou conhecido por ter, em 1984, realizado uma travessia solitária, num barco a remo, no oceano Atlântico. Foi um percurso de sete mil quilômetros entre Luderitz, na Namíbia (África) e Salvador, na Bahia. Em dezembro de 1989, viajou rumo à Antártica, em um veleiro especialmente construído para a expedição, o Paratii. Permaneceu sozinho por um ano na região, sendo que por sete meses, seu barco ficou preso no gelo da Baía de Dorian. Da Antártica, rumou em direção ao Pólo Norte e retornou ao ponto de partida, a cidade de Paraty, em outubro de 1991.

Hoje o aventureiro mantém uma escola de navegação para jovens carente em Paraty, no Rio de Janeiro e está à frente de múltiplos projetos sociais e de pesquisa e inovação. Não perca a chance de ouvir sobre as aventuras de Amyr Klink e se inspirar com suas histórias de superação.

 

Confira a cobertura completa do Jornal Diário do evento em pdf:

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Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.