Estudo inicial testou duas drogas já usadas no EUA para a doença

Uma nova combinação de drogas já aprovadas nos EUA pode ter um impacto significativo no tratamento da leucemia linfoide crônica (LLC), mostra um estudo inicial apresentado no ASH, maior evento de hematologia do mundo, que ocorre esta semana em Atlanta (EUA). Trata-se do uso conjunto de ibrutinibe com venotoclax.

O estudo, CLARITY, contou com 50 pacientes tratados previamente. Todos responderam ao tratamento experimental e um terço atingiu remissão completa depois de seis meses de tratamento com a combinação.

Os participantes receberam primeiro o ibrutinibe por oito semanas e depois o venetoclax em baixas doses progressivamente aumentadas. Antes do venetoclax, no entanto, os pesquisadores deram também medicações para prevenir a síndrome da lise tumoral (SLT), um grupo de complicações metabólicas que comumente ocorre durante o tratamento da doença. Apenas um paciente apresentou essa complicação.

“Os resultados iniciais são bem impressionantes, pois trata-se de uma população de pacientes que não respondia a tratamento anteriores e além disso sem efeitos adversos importantes”, disse o líder do estudo Peter Hillmen do Leeds Institute of Cancer and Pathology, do Reino Unido. “Esperávamos que se cerca de 30% dos pacientes tivessem remissão após 12 meses seria um sucesso, mas em apenas 3 meses conseguimos 33%”.

O líder do estudo, Peter Hillmen do Leeds Institute of Cancer and Pathology, do Reino Unido.

O estudo é preliminar e não contou com um grupo controle, mas o pesquisador já anunciou que está conduzindo uma pesquisa de fase 3 randomizada, o ensaio FLAIR para comparar a combinação das drogas com o seu uso isolado e com um regimes com três drogas de quimioterapia.

Dupla poderosa

O hematologista Marinus Lima, da clínica NeoH, de Recife (PE), pontua que os dois medicamentos usados no estudo tiveram um importante papel no tratamento da doença nos últimos anos e a junção dos dois é realmente promissora.

“Há alguns anos, o tratamento era voltado para estender sobrevida livre de progressão da doença, pois era esperada a recaída ou progressão da mesma. Hoje, com o advento de novos tratamentos, os pesquisadores estão buscando a “cura” para esses pacientes”, disse. “Os dois fármacos em questão mudaram a forma de tratar a LLC.

O médico explica que o ibrutinib sozinho não conduz à erradicação da doença, mas o venetoclax é capaz de erradicar a doença residual mínima detectável em uma proporção de pacientes, principalmente naqueles com deleção do braço curto do cromossomo 17 (del17p).

“A combinação dos dois medicamentos vem demonstrado ser sinérgica e bem tolerada e pode ser tornar a terapia padrão. A depender dos resultados obtidos nos próximos estudos, poderemos falar realmente em “cura” para os pacientes portadores de LLC”, concluiu.

 

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Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.