Uma pesquisa publicada na Cell explica como a mutação KRAS, presente em vários tipos de câncer, resiste à quimioterapia, construindo um nicho resistente ao estresse, uma espécie de abrigo para se defender do medicamento.

O estudo, conduzido pelo NYU Langone Medical Center e a Thomas Jefferson University, mostra que as células mutadas com KRAS são capazes de construir estruturas chamadas grânulos de estresse por meio de secreção da proteína 15-d-PGJ2. Essas estruturas encapsulam o DNA da células protegendo-o da ação da quimioterapia.

Células normais também usam esse mecanismo quando sujeitas a algum tipo de estresse, mas nas mutações KRAS os pesquisadores observaram uma alta expressão dessas estruturas, seis vezes maior do que em células saudáveis expostas ao estresse. A mutação KRAS é está presente em 90% dos cânceres de pâncreas, um tipo de neoplasia com alta mortalidade.

O estudo abre caminho para tentativas de intervenções nesse mecanismo com objetivo de sensibilizar as células mutadas para a quimioterapia.

“Dada a falta de tratamentos para esses pacientes, a habilidade de interferir nesse mecanismo é revolucionária”, diz o líder da pesquisa, Dafna Bar-Sagi, PhD, da NYU Langone.

Como próximo passo, os cientistas pretendem investigar se adicionar à quimio um inibidor COX2, um tipo popular de anti-inflamatório, pode melhorar a resposta dos pacientes ao tratamento.

Confira aqui o estudo.

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