Estudo apresentado na ASCO mostra aumento de sobrevida com essa abordagem

O câncer de pâncreas é uma doença agressiva que não tem tido muitos avanços em termos de tratamento nos últimos anos. Um estudo apresentado na reunião anual da Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO), traz dados que sugerem uma nova conduta de tratamento. O ensaio indica que pacientes que recebem quimioterapia com radioterapia antes da cirurgia mostram maior sobrevida livre de progressão do que aqueles que fazem somente a cirurgia como primeiro passo.

Atualmente, o tratamento padrão preconiza a radioterapia apenas após a cirurgia de remoção do tumor. O estudo, PREOPANC-1, contou com 246 pacientes com câncer de pâncreas separados em um grupo que recebeu a radioterapia e quimioterapia antes da cirurgia e outro que recebeu o tratamento padrão.  A sobrevida em dois anos foi maior no primeiro grupo (42% vs. 30%), indicando que essa abordagem é benéfica.

“Esse é o primeiro ensaio clínico randomizado a mostrar que o tratamento pré-cirurgia melhora o prognóstico dos pacientes com estágios iniciais do câncer de pâncreas elegíveis para cirurgia”, diz o autor principal do estudo, Geertjan Van Tienhoven, radiooncologista do Academic Medical Center de Amsterdam (Holanda). “Esse é um ensiao que vai mudar a prática médica.”

A oncologista Maria de Lourdes Oliveira, da Oncologia D’Or, explica que existem três cenários no câncer de pâncreas: um em que o paciente claramente se beneficia da abordagem inicial cirúrgica, outro no qual a doença é extensa e a cirurgia não pode ser indicada por não ser curativa e a situação na qual o tumor pode ser abordado cirurgicamente num segundo momento, caso tenha uma boa resposta à terapia prévia. Esses últimos são os chamados tumores chamados borderline.

O estudo apresentado na ASCO traz benefícios para todos os pacientes elegíveis para cirurgia. “Os resultados confirmam o benefício do uso de quimioterapia e da radioterapia antes da cirurgia”, comenta Oliveira. “Esta é, sem dúvida, uma abordagem que deve ser adotada nos pacientes que preenchem os critérios do estudo a partir de agora.”

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.