Um dos mais respeitados periódicos científicos, The Lancet Oncology, enfocou na edição de março (volume 13¸pgs 95-103) o cenário do câncer de mama no Brasil, em artigo de revisão que contou com a participação de Sergio Simon, editor clínico da revista Onco&, e presidente do Grupo Brasileiro de Estudos do Câncer de Mama (GBECAM). O estudo teve a participação de Carlos Barrios, diretor científico do GBECAM, em colaboração com autores do Massachusetts General Hospital e da Escola de Medicina de Harvard, nos Estados Unidos .

O trabalho teve como base estudos publicados na literatura nacional e internacional, além dos resultados do Projeto Amazona, que demonstrou que mais de 1/3 das mulheres diagnosticadas através do sistema público têm doença em Estádio III e IV, comparado com apenas 16% daquelas do sistema privado. Assim, o estudo traz uma contribuição propositiva para avançar no diagnóstico e tratamento da doença.

Aqui, apresentamos a síntese do artigo.

Brittany L Lee MD a, Pedro ER Liedke MD a c, Prof Carlos H Barrios MD b c d, Prof Sergio D Simon MD c e, Prof Dianne M Finkelstein PhD a, Prof Paul E Goss MD a

Resumo

O câncer de mama é o câncer mais comum em mulheres em todo o mundo, sendo que 70% das mortes pela doença ocorrem em mulheres de países de baixa e média renda. A cada ano, a América Latina tem cerca de 115 mil novos casos. Desses, cerca de 50 mil são provenientes do Brasil.

Nós examinamos a situação atual do câncer de mama no Brasil como um exemplo dos efeitos na saúde das diversidades geográficas, étnicas e sócio-econômicos na prestação de cuidados. Nosso objetivo foi identificar as deficiências que poderiam ser responsáveis por diferenças na sobrevivência de câncer de mama. Para isso, pesquisamos trabalhos publicados em inglês e português, e revisamos as bases de dados nacionais.

Embora a disponibilidade de publicações específicas para o Brasil, em geral, seja baixa, foram identificados diversos fatores que poderiam explicar as disparidades: atrasos no diagnóstico devido à baixa implementação de rastreamento por mamografia, qualidade desconhecida das cirurgias e acesso restrito à radioterapia e a modernas terapias sistêmicas.

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