Pesquisadores identificam que bactéria do intestino bloqueia ação da quimioterapia

A recorrência e o mau prognóstico do câncer colorretal podem depender de uma bactéria que habita a microbiota intestinal. A conclusão é de uma pesquisa de cientistas americanos e chineses publicada hoje na revista Cell. Eles descobriram que a bactéria Fusobacterium nucleatum é capaz de interferir na ação da quimioterapia, impedindo a morte das células de tumor.

As principais quimioterapias contra o câncer colorretal agem inibindo a atividade de enzimas das células cancerígenas e provocando a morte delas por apoptose, mas algumas células tumorais conseguem escapar por autofagia. Os pesquisadores observaram que a bactéria em questão potencializa a autofagia das células de câncer.

Os pesquisadores ainda não sabem o que aconteceria se a bactéria fosse eliminada ou reduzida.”Não temos uma abordagem específica para selecionar ou controlar a Fusobacterium nucleatum e não sabemos se a abundância dessa bactéria está relacionada à resistência de outros tipo de câncer”, diz o autor da pesquisa Weiping Zou da Michigan Medicine.

A  ideia de buscar por bactérias que poderiam estar relacionadas à resistência à quimioterapia veio de uma pesquisa anterior do grupo publicado na Cell em 2016, no qual estudaram o impacto das células T na quimioresistência e identificaram que a reposta imune está inversamente associada com com a resistência à cisplatina em câncer ovário.

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.