Anualmente são registrados 15 mil novos casos de mulheres com câncer de colo de útero. Deste número, 70% dos quadros são passíveis de prevenção por meio da vacinação contra o vírus do HPV. Disponível nas Unidades Básicas de Saúde desde 2014, a divulgação da vacina ganhou um forte aliado com a Campanha “Onda Contra o Câncer”, promovida pelas Sociedades Brasileira de Imunologia (SBIm), Infectologia (SBI), Pediatria (SBP) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo). Em sua primeira fase, as quatro entidades organizaram um workshop destinado aos profissionais da imprensa, em 1 de setembro, na capital paulista, com o objetivo de melhorar a qualidade da informação que chega à população.

Segundo Isabella Ballalai, presidente da SBIM, o propósito é de fato promover uma “onda” de conscientização, alertando sobre os riscos do HPV em homens e mulheres: o vírus é responsável por 91% dos casos de câncer anal; 75% do vaginal; 72% do de orofaringe; 63% do de pênis; 69% do vulvar. Além disso, também é a principal causa do câncer de colo de útero, matando 5 mil mulheres anualmente – aproximadamente 100% desse câncer é em decorrência do HPV. “Estima-se que cerca de 80% da população brasileira porta o vírus, mas somente de 2% a 3% desenvolve algum tipo de câncer. Para diminuir esses índices, a prevenção é essencial”, alerta.

Em 8 de setembro, começou o segundo estágio da campanha com o site www.ondacontracancer.com.br, portal que oferece esclarecimentos acerca do vírus e das doenças por ele acarretadas, bem como a nova faixa etária – dos 9 aos 13 anos –, perfil das assistidas pelo SUS e locais de vacinação. “Queremos marcar presença no meio online, uma vez que o público alcançado é muito maior”, diz a especialista.

Na mesma data, São Paulo iniciou a segunda etapa da vacinação contra o HPV. O estado já vacinou 588 mil meninas com idades entre 9 e 11 anos durante a distribuição da primeira dose, equivalente a 58% da meta. O Brasil já aplicou mais de 10 milhões de doses; no mundo já foram mais de 200 milhões. “Estamos agindo hoje para ter uma resposta em 10, 20 ou 30 anos e, por isso, é fundamental que imunizemos as meninas o quanto antes, preparando-as para uma vida adulta mais saudável”, conclui a Isabella Ballalai.

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