O brasileiro sabe pouco sobre câncer. Esta é a conclusão de uma pesquisa realizada com 2.571 pessoas, em 159 munícipios. Fruto de uma parceira entre o Instituto Oncoguia, o Datafolha e a American Cancer Society, o levantamento mostrou que 59% dos entrevistados acreditam que câncer é a doença que mais mata no país, seguida de AIDS (17%) e infarto (10%). Muito longe da realidade, que mostra que as doenças do aparelho circulatório respondem por 31% das mortes, seguidas por neoplasias (17%), causas externas (13%) e problemas do aparelho respiratório (11%), conforme dados do Sistema de Informação sobre Mortalidade 2010, do Ministério da Saúde.
De acordo com Rafael Kaliks, diretor científico do Instituto Oncoguia, a pesquisa foi feita no modelo de pergunta aberta, o que significa que os entrevistados não sabiam que se tratava de um levantamento sobre o câncer. “O desconhecimento disseminado é independente de sexo, faixa etária, escolaridade, classe econômica e região”, revela Kaliks.

O resultado foi divulgado durante o IV Fórum de Discussão de Políticas Públicas em Oncologia, promovido pelo Instituto Oncoguia e realizado nos dias 5 e 6 de fevereiro em São Paulo. Quando perguntados qual câncer é mais comum, os entrevistados responderam mama (60%), próstata (30%), pulmão (26%), colo de útero (26%). Novamente, um desconhecimento da realidade, onde o câncer de pele não-melanoma é a neoplasia mais comum, seguida por próstata, mama, traqueia, brônquios e pulmão, colo e reto, estômago e colo de útero.

Os fatores de risco do câncer também merecem destaque. Dentre uma série de itens estimulados, os entrevistados apontaram como principais fatores de risco do câncer: tabagismo, sol sem proteção, histórico da doença na família, bebidas alcoólicas. Apesar de também constarem na lista, fatores como obesidade e sedentarismo quase não foram reconhecidos como causa. O mesmo vale para infecção pelo HPV. “O interessante é que podemos reduzir a incidência de câncer em 30% se acabarmos com a tríade falta de exercício, má alimentação e obesidade”, afirma Kaliks.

Quando o assunto é prevenção, não fumar, ter uma alimentação saudável, fazer consultas de rotina, não se expor ao sol e evitar bebidas alcoólicas, foram lembrados pelos entrevistados. Mais uma vez, pouco ou nada se falou de atividade física e sexo seguro, por exemplo. Isso prova que a falta de informação crônica sobre o câncer precisa ser combatida.

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.