A sobrevida e os benefícios ao esqueleto do tratamento com bisfosfonato intravenoso permaneceram consistentes em uma população de pacientes com mieloma múltiplo. Esse foi o resultado da análise de sub-grupo de um grande ensaio clínico.

As características demográficas e clínicas de base tiveram pouco impacto sobre a melhora total de 5,5 meses na sobrevida global com ácido zoledrônico (Zometa) versus clodronato ou a redução de 26% em eventos relacionados ao esqueleto (SRE, na sigla em inglês.).

O único fator que alterou o resultado global foi o nível basal de doença óssea. Pacientes com metástases ósseas tiveram um benefício de sobrevida significativa com o ácido zoledrônico, o que não aconteceu com aqueles sem envolvimento basal ósseo.

As descobertas foram publicadas no Congresso Europeu Multidisciplinar de Câncer, anteriormente conhecido como Congresso da Organização Européia de Câncer (ECCO) e da Sociedade Européia de Oncologia Médica (ESMO).

“Os benefícios de sobrevida do ácido zoledrônico em relação ao clodronato foram independentes do sexo, estágio da doença e genótipo específico do mieloma, mas dependeram da presença de doença óssea basal”, disse Gareth Morgan J., do Royal Marsden Hospital, em Londres.

No entanto, observou ele, “os pacientes com e sem doença óssea se beneficiaram de uma redução significativa de eventos relacionados ao esqueleto com o ácido zoledrônico versus clodronato”.

“O benefício de sobrevida global com a ajuda do zoledrônico foi profunda entre os pacientes tratados por mais de dois anos. Em comparação com o clodronato, o ácido zoledrônico promoveu um aumento significativo da sobrevida global após a progressão da doença, e continuou a reduzir os eventos relacionados aos ossos versus o clodronato durante tratamentos de longo prazo”, disse Morgan.

As descobertas refletem a análise contínua dos resultados de um estudo randomizado envolvendo 1.960 pacientes com mieloma múltiplo, cuja primeira linha de tratamento incluiu a quimioterapia baseada em talidomida concomitantemente com ácido zoledrônico ou clodronato.

A terapia com bisfosfonato continuou pelo menos até a progressão da doença; a duração média de acompanhamento foi de 42 meses.

Como relatado anteriormente, os pacientes no braço do ácido zoledrônico tiveram uma redução de 16% no risco de morte e uma redução de 12% no risco de progressão, em comparação com o grupo de clodronato. A análise de dados de sobrevida por comprometimento ósseo basal mostrou que 539 pacientes sem comprometimento ósseo não apresentaram um risco de redução da mortalidade com o ácido zoledrônico.

Além disso, os pacientes tratados com ácido zoledrônico tiveram uma taxa significativamente menor de SREs (34% versus 43%, P = 0,007), e o benefício foi semelhante nos pacientes com e sem doença óssea basal.

Morgan apresentou dados de uma análise dos resultados clínicos pela demografia, características da doença, e a duração do tratamento.

Na análise geral, o grupo do ácido zoledrônico apresentou uma melhora de 5,5 meses na sobrevida global e aumento de dois meses na sobrevida livre de progressão.

Pacientes com comprometimento ósseo no momento do diagnóstico apresentaram uma melhora estatisticamente significativa de 17% na sobrevida (P=0,01), enquanto aqueles sem doença óssea tinham sobrevida semelhante, independente de qual bisfosfonato receberam.

Outras análises mostraram que o resultado global foi semelhante em homens e mulheres, em diferentes estágios da doença e pelo genótipo.

O resultado da sobrevida livre de progressão espelha a sobrevida global, já que apenas o comprometimento ósseo no momento do diagnóstico influenciou o resultado global.

A análise dos resultados de SRE mostrou que pacientes tratados com ácido zoledrônico, em comparação com clodronato, apresentaram uma incidência significativamente menor de novas lesões ósseas – 11,4% versus 5,7% (P=0,0002) em pacientes com comprometimento ósseo basal e 5,8% versus 2,3% (P = 0,035) para pacientes sem comprometimento ósseo.

A análise da duração do tratamento mostrou que um período mais longo de terapia com bifosfonatos aumentou o benefício de sobrevida no grupo com ácido zoledrônico. Entre os pacientes em tratamento por pelo menos dois anos, a sobrevida média geral foi de 34 meses em comparação com 27 meses para o braço clodronato (P=0,0291).

Segundo Morgan, o maior efeito do ácido zoledrônico na hora do primeiro SRE continuou a aumentar a um ano (P = 0,0012), e o benefício foi mantido para além de três anos.

Sem minimizar os benefícios demonstrados pelo estudo, o debatedor convidado Vincent Ribrag, do Institut Gustave Roussy, em Villejuif, na França, disse que questões fundamentais sobre a gestão da doença óssea em mieloma múltiplo permanecem sem resposta.

“Temos que fazer a profilaxia de SRE com ácido zoledrônico em todos os pacientes?” Ribrag perguntou. “Há um risco de toxicidade renal e osteonecrose da mandíbula com o ácido zoledrônico.” E continua: “O ácido zoledrônico é a melhor opção para todos os pacientes? O denosumab (Xgeva), um anticorpo monoclonal que atua no ligante RANK, inibe a formação e ativação dos osteoclastos. Talvez essa pergunta será respondida por um ensaio clínico de fase III em andamento comparando as duas drogas em pacientes com mieloma múltiplo.”

Fonte: Medpage today

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