Bactérias normalmente nocivas para o ser humano podem ser usadas em tratamento de imunoterapia contra tumores

Salmonela, um dos principais agentes causadores das gastroenterites. A ideia da contaminação pela bactéria não parece nada agradável, mas cientistas estão apostando nisso para combater o câncer. Um estudo publicado nesta semana na Science Translational Medicine por cientistas sul-coreanos, relata o uso de uma cepa geneticamente modificada de Salmonella typhimurium como uma forma eficaz de desencadear resposta imune contra tumores.

A bactéria foi  modificada para deixar de impactar negativamente o organismo e produzir uma proteína chamada flagelina B (FlaB), encontrada no flagelo da bactéria Vibrio vulnificus, que infecta animais marinhos na Costa da Coréia. A molécula, que já vinha sendo estudada pela equipe, foi escolhida por sua capacidade de desencadear uma forte resposta do sistema imune.

Em testes feitos em camundongos, os pesquisadores injetaram a bactéria modificada em tumores, resultando em uma inflamação que acendeu o alerta para o sistema imune, que passou a combater as células de câncer. A estratégia foi testada em modelos animais para diferentes tipos de câncer, sempre resultando na diminuição do tumor sem toxicidade. A tática também preveniu a metástase nos testes.

Em experimentos com 20 camundongos com câncer de cólon humanos que receberam a injeção, os pesquisadores observaram remissão completa dos tumores em 11 animais após 120 dias de tratamento.

O sucesso da estratégia se deve em parte ao fato de as bactérias já estarem “acostumada” com o tecido necrótico, também presente em tumores sólidos. Apesar dos bons resultados, o tratamento ainda não é eficaz contra recidiva do tumor.

Os testes com animais devem continuar nos próximos quatro anos, mas testes clínicos em humanos também estão previstos.

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