Por falta de informação, mais de 50% dos pacientes com câncer ainda sofrem com náuseas e vômitos induzidos pela quimioterapia (NVIQ). Muitos adiam e até interrompem o tratamento em decorrência do mal-estar e do desconforto causados pelo problema, que é considerado um dos principais efeitos colaterais da quimioterapia (juntamente com alopecia, que é a perda do cabelo). Entretanto, diversos estudos mostram que médicos e enfermeiras ainda subestimam esse fator.

“A náusea (experiência psíquica) e o vômito (expulsão forçada) funcionam como mecanismos de defesa contra substâncias nocivas e/ou estranhas ao organismo, como, por exemplo, as drogas utilizadas na quimioterapia”, explica Nivaldo Vieira, oncologista clínico e diretor técnico-científico da Clínica OncoHematos, em Aracaju, Sergipe. “As quimioterapias apresentam potenciais diferentes para causar náusea, ânsia de vômito e vômito (potencial emetogênico do medicamento). Por isso a incidência dos vômitos acaba sendo mais elevada durante o tratamento de alguns tipos de cânceres, como o de mama, o colorretal, o de pulmão, o de ovário e o linfoma, que utilizam medicamentos quimioterápicos com maior potencial emetogênico”, acrescenta o especialista.

Para auxiliar nessa questão, o 1º Consenso Brasileiro de Náuseas e Vômitos será apresentado à comunidade médica hoje, 18 de agosto, durante jantar da Associação Brasileira de Cuidados Paliativos (ABCP), em São Paulo. “Existem consensos e diretrizes internacionais, principalmente, no que tange às náuseas e vômitos induzidos por quimioterapia. No entanto, não havia nenhuma diretriz nacional sobre o assunto. Daí a importância de informamos e orientarmos a classe médica sobre a existência do consenso para o benefício dos pacientes”, declarou Ricardo Caponero, oncologista, ex-presidente e atual diretor científico da ABCP.

O consenso, que tem a chancela da ABCP, é inovador porque além de trazer um capítulo especial sobre NVIQ, introduz as terapias complementares, como acupuntura e musicoterapia, como auxiliares ao tratamento oncológico.

“Este é o resultado de seis meses de trabalho de uma equipe multiprofissional, sob a assessoria internacional do professor Matti Aapro, de Genolier, na Suíça. A partir da vivência e experiência desses especialistas, buscamos expandir as diretrizes internacionais, adaptando-as à realidade brasileira, auxiliando a implementação de práticas baseadas em evidências”, ressalta Karine Leão, doutora em enfermagem oncológica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP).

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