A 60ª edição do congresso de hematologia vai trazer novas abordagens para doenças como mieloma múltiplo, linfoma e leucemias

O mais importante congresso de hematologia mundial, o encontro anual da Sociedade Americana de Hematologia (ASH 2018) começa nesta semana (1 a 4 de dezembro), em San Diego, Califórnia. Em sua 60ª edição, o evento deve reunir mais de 30 mil especialistas para debater os principais avanços na área e promete trazer trabalhos com resultados de impacto na clínica médica.

Este ano foram submetidos 6 mil abstracts e mais de 4.900 serão apresentados no evento, entre eles mil apresentações orais e 3.900 pôsteres (alguns de brasileiros).

Menos tratamento, mesmo resultado

Para a plenária, é esperada a apresentação dos dados de um grande estudo que avaliou a redução dos ciclos de quimioterapia no tratamento de linfoma difuso de células B em pacientes jovens. A redução do esquema padrão de seis para quatro meses não trouxe prejuízos. A notícia é importante porque essa mudança diminui também a toxicidade do tratamento.

Terapia gênica

O tema das CAR-T cells volta ao debate este ano também, com novos resultados incrementais, estudo preliminares e de follow-up sobre essa abordagem de terapia gênica. Um dos estudos avalia o uso de ibrutinibe em pacientes tratados com CAR-T cells e mostra que o medicamento é capaz de diminuir os efeitos colaterais da terapia.

Entre os follow-ups, estão previstos dados do estudo Juliet, apresentado no ano passado, que avalia o uso de uma dose única de tisagenlecleucel em pacientes adultos com linfoma de células B. O seguimento mostra que eles ainda estão em remissão após 18 meses.

Late breaking

Sete estudos foram selecionados para divulgação de destaque como late breaking abstracts, três deles ligados a câncer. Um deles traz dados do estudo CASSINI, que avalia o uso da rivaroxabana para prevenir a tromboprofilaxia em pacientes oncológicos de alto risco submetidos à terapia sistêmica.

Outro destaque é o estudo de fase 3 MAIA, que avaliou o uso de daratumumabe combinado a lenalidomida e dexametasona (D-Rd) versus lenalidomida e dexametasona (Rd) em pacientes com mieloma múltiplo recentemente diagnosticado inelegíveis para transplante.

Um terceiro late breaking, também de fase 3, compara a terapia com ibrutinibe versus fluxarabina, ciclofosfamida e rituximabe em pacientes jovens com leucemia linfocítica crônica (LLC) não tratados previamente. Os resultados desses trabalhos serão apresentados no último dia do evento.

A revista Onco& estará no evento fazendo uma cobertura completa. Cadastre-se para receber as novidades do ASH!

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.