A Sociedade Americana de Oncologia Clínica (ASCO, na sigla em inglês) anunciou no dia 14 de abril de 2014 três novos guidelines para a prevenção e manejo de sintomas que afetam muitos pacientes com câncer – neuropatias, fadiga e ansiedade e depressão. Os guidelines são os três primeiros de uma série. As recomendações reforçam a necessidade de atenção tanto às necessidades físicas como às psicológicas dos pacientes de câncer.

Abaixo, alguns dos destaques dos novos guidelines.

Neuropatia Periférica

O guideline “Prevention and Management of Chemotherapy-induced Peripheral Neuropathy in Survivors of Adult Cancers: American Society of Clinical Oncology Clinical Practice Guideline” apresenta algumas recomendações baseadas em evidências para a prevenção e tratamento da neuropatia periférica induzida pela quimioterapia, um efeito colateral debilitante de alguns esquemas de quimioterapia. Estima-se que entre 30% e 40% dos pacientes de câncer tratados com quimioterapia devam apresentar este problema. O novo guideline, publicado no Journal of Clinical Ongology (JCO) identifica diversas drogas que podem ser úteis no combate aos sintomas da neuropatia periférica. Não há, porém, nenhuma recomendação para preveni-la. “Não existe uma panaceia para a neuropatia”, afirmou Gary Luman, um dos líderes do grupo que revisa os guidelines da ASCO. “Algumas drogas utilizadas na prevenção e tratamento das neuropatias podem causar efeitos colaterais ou interferir em outros medicamentos. É importante deixar claro que se não houver nenhuma evidência de benefício dessas drogas, é melhor não prescrevê-las.”

Fadiga

O guideline “Screening, Assessment and Management of Fatigue in Adult Survivors of Cancer: an American Society of Clinical Oncology Clinical Practice Guideline Adaptation” fornece recomendações para diagnóstico, avaliação e tratamento para pacientes adultos de câncer que estejam apresentando quadros de fadiga. É recomendado que todos os pacientes sejam avaliados quanto a seus sintomas de fadiga após a conclusão do tratamento primário e que seja oferecido a eles estratégias para administração desse sintoma. “Fadiga é um sintoma muito comum nas pessoas com câncer”, afirma Smita Bhatia, uma das líderes do grupo de revisão de guidelines da ASCO. A maioria dos pacientes apresenta algum nível de fadiga durante o tratamento do câncer e aproximadamente um terço deles sofre com o problema durante anos após a conclusão do tratamento.

Ansiedade e depressão

O guideline “Screening, Assessment and Care of Anxiety and Depressive Symptoms in Adults with Cancer: an American Society of Clinical Oncology Clinical Practice Guideline Adaptation” enfatiza que os profissionais da área da saúde têm um papel vital em evitar os efeitos colaterais emocionais e comportamentais do tratamento do câncer. “Aflição é algo muito comum entre pessoas com câncer, mas os tipos e causas de aflição variam. A depressão tende a permanecer sem diagnóstico, a menos que ela seja especificamente buscada e avaliada”, afirma a dra. Smita Bhatia. O guideline da ASCO recomenda que todos os pacientes tratados contra o câncer sejam avaliados sobre sintomas de depressão e ansiedade. Grupos de apoio podem ser recomendados para todos e aqueles que apresentarem sintomas entre moderado e severo devem ser encaminhados para o tratamento adequado. “Algumas vezes os médicos não dão muita atenção a esses sintomas, porque eles pensam que é normal que seus pacientes apresentem um pouco de ansiedade e depressão em relação a suas doenças”, diz o dr. Lyman. “Mas é importante ficar de olho nos sintomas e intervir quando eles passarem a interferir na qualidade de vida dos pacientes.”