Pesquisa identifica genes sem os quais o câncer não consegue sobreviver e pode abrir caminho para novas terapias

O câncer depende do meio para se desenvolver. Um grande esforço de pesquisa tenta identificar genes dos quais o câncer necessita de alguma forma para sobreviver. A primeira fase do projeto, divulgada hoje na revista Cell, mapeou 760 desses genes, constituindo o mais completo mapa genômico de dependência do câncer já feito.

As células cancerígenas carregam mutações que podem prejudica-las. Quando isso ocorre, elas compensam ajustando a atividade de outros genes, desenvolvendo uma relação de dependência com esses genes para se manter. identificar essas dependências provê oportunidades terapêuticas.

Os genes identificados na pesquisa, conduzida pelo MIT, a Harvard university e o Dana-Farber Cancer Institute, têm papel em diversos tipos diferentes de câncer, mas cerca de 10% deles são comuns a várias neoplasias, o que significa que terapias direcionadas a eles poderiam ter um grande impacto.

A descoberta é fruto de uma análise genômica de 501 linhas celulares de mais de 20 tipos de cânceres.

“Muitos dos esforços para caracterizar o câncer se concentram em sequenciamnto genético dos tumores. Esse tipo de estudo nos dá parte do entendimento sobre a doença. Mapear as dependências do câncer nos dá uma ideia de engenharia reversa para os processos que mantém o câncer”, explica um dos autores do estudo, William Hahn, chefe da divisão de oncologia molecular e celular do Dana-Farber.

A pesquisa mostrou também que a maioria do cânceres depende de poucos genes para sobreviver. Mais de 90% das linhagens celulares estudadas mostraram dependência com pelo menos menos 1 de um grupo de 76 genes.

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.