Um estudo escandinavo pouco noticiado está acrescentando uma nova e intrigante questão ao debate sobre o rastreamento do câncer de mama no Canadá, ao sugerir que muitos tumores encontrados por mamografias – e muitas vezes tratados com cirurgia – teriam simplesmente desaparecido por conta própria.

Um importante estudioso canadense de câncer de mama está divulgando a pesquisa como uma possível mudança de paradigma para a compreensão da doença, embora reconheça que as conclusões do estudo são provocativas e que suas implicações fascinantes vão dividir a comunidade científica.

“(O estudo) é contrário a quase tudo que pensamos saber sobre câncer de mama”, disse Steven Narod, pesquisador de câncer de mama mais citado no mundo. “É uma questão que, a esta altura, irá polarizar a comunidade científica entre os que acreditam e os que não acreditam. As implicações são extraordinárias.”

A noção de que muitos tipos de câncer desaparecem sem tratamento questiona o valor de alguns de rastreamentos e aponta para potenciais novas formas de combater os casos mais letais, disse Narod, que trabalha no Toronto’s Women’s College Hospital.

O debate antigo e apaixonado sobre quando começar o rastreamento de câncer de mama com mamografias regulares esquentou novamente no mês passado, quando uma força-tarefa independente se posicionou contrária a testes de rotina para mulheres com menos de 50. O painel disse que o rastreamento cria muitos riscos enquanto seus benefícios são relativamente poucos em termos de salvar a vida das mulheres de 40 e poucos anos.

Os críticos, no entanto, disseram que a força-tarefa usou evidências desatualizadas que subestimaram os benefícios e exageraram os malefícios do rastreamento.

Ganhou pouca atenção na época um estudo publicado em outubro na revista científica Lancet Oncology por Per-Henrik Zahl do Norwegian Institute of Public Health (Instituto Norueguês de Saúde Pública) e seus colegas. A equipe analisou dois grandes grupos de mulheres da mesma faixa-etária na Suécia. Começando no final da década de 1980, uma coorte de cerca de 300 mil mamografias anuais por seis anos. Um grupo de controle não passou por rastreamento nos primeiros quatro anos, e realizaram a mamografia nos últimos dois anos.

O pensamento convencional sugere que o número cumulativo de cânceres encontrados em ambos os grupos seria quase o mesmo ao final dos seis anos. Surpreendentemente, porém, o resultado foi bem diferente: o grupo de mulheres que foram rastreadas anualmente – e, provavelmente, tratadas quando um tumor foi encontrado – tinha acumulado significativamente mais tumores – 174 a mais a cada 100 mil.

Os autores concluíram que a única explicação para o porquê das mulheres não rastreadas terem menos câncer é que muitos tumores de mama aparecem e, espontaneamente, vão embora.

Outro pesquisador importante na área de câncer de mama rejeitou as descobertas sueco-norueguesas. Os grupos de mulheres suecas foram em regiões distintas do país e qualquer número de diferenças entre eles poderia ter explicado os números divergentes de cânceres, disse Martin Yaffe, especialista em diagnóstico por imagem no Toronto’s Sunnybrook Research Institute.

Fonte: The Montreal Gazette

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