A incidência de linfoma não-Hodgkin (LNH) dobrou nos últimos anos no Brasil. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), a cada ano são diagnosticados cerca de 10 mil casos da doença.

Atualmente, a terapia que mais aumenta a chance de cura e qualidade na sobrevida é a quimioterapia associada ao uso de anticorpos monoclonais (rituximabe), ainda não disponível na rede SUS para todos os tipos existentes de linfoma.

O assunto está na pauta da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Insumos Estratégicos (SCTIE) do Ministério da Saúde. Na segunda-feira, 15 de abril, foi encerrada a consulta pública nº 013/2013, aberta em 22 de março, relativa à proposta de incorporação no Sistema Único de Saúde do rituximabe para linfoma não-Hodgkin (LNH) de células B, folicular, CD20+. O objetivo era receber manifestações da sociedade civil a respeito da recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (CONITEC) no SUS, contrário à inclusão do medicamento.

Segundo o hematologista, Carlos Sérgio Chiattone, diretor da Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH), trata-se de um erro de avaliação por parte do Ministério da Saúde não incluir a terapia com anticorpo monoclonal, uma vez que há indicação formal para se adotar esta terapia ainda não praticada no sistema público: “Desconheço qualquer justificativa que possa basear uma decisão contrária à inserção da droga como opção para esses pacientes. Além das evidências científicas, o rituximabe é adotado como tratamento no mundo todo”.

A demora no tratamento ou o tratamento incorreto provoca grande número de mortes. “Enquanto para outros tipos de câncer há vários esforços para a obtenção do diagnóstico precoce, para o linfoma não há nenhuma ação neste sentido por parte das autoridades governamentais”, afirma Chiattone.

Campanha de pacientes

A Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (ABRALE) lançou o Manifesto do Linfoma. Trata-se de uma iniciativa em defesa do acesso de pacientes com linfoma não-Hodgkin (LNH) de células B, folicular, CD20+ ao anticorpo monoclonal. Ao todo foram obtidas 61 mil assinaturas em prol da causa, que conta com o apoio institucional da ABHH.

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