Felipe Braga

Membro titular do Colégio Brasileiro de Cirurgiões;
membro da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica;
fellowship em cirurgia torácica oncológica pelo Instituto
Europeu de Oncologia, Milão, Itália; especialista
em cirurgia torácica pela UFF; cirurgião torácico na
Cirurgiões Torácicos Associados do RJ

 

Em janeiro de 2018 foi realizada a 1ª Conferência Internacional sobre Ressecções Sublobares para o Câncer de Pulmão, em Paris (FRA), no Institut  Mutualiste Montsouris, que teve o apoio e a promoção da European Society of Thoracic Surgeons (ESTS). O evento é voltado a cirurgiões torácicos que efetuam cirurgias oncológicas minimamente invasivas (VATS e robótica) e contou com a participação de aproximadamente 200 cirurgiões de 34 países. O Brasil foi representado por doze cirurgiões, a maioria deles envolvida com o programa de Cirurgia Torácica Minimamente Invasiva (CTMI) e Robótica da Rede D’Or.

Foram discutidos aspectos técnicos relevantes para a realização da ressecção sublobar (segmentectomia anatômica) na era das VATS e robótica, que proporcionam maior segurança para os pacientes e tendem a preservar a função pulmonar e diminuir o tempo de recuperação, permitindo retorno mais precoce às atividades cotidianas e/ou início mais precoce de terapias complementares, quando necessário. Houve intensa discussão acerca das novas indicações da técnica, que, anteriormente, do ponto de vista oncológico, era restrita a pacientes com função pulmonar limítrofe, e hoje já pode ser considerada para tumores em fase inicial (ainda milimétricos) respeitando critérios de inclusão e curabilidade oncológicos.

 

Ricardo Terra

Professor livre-docente de cirurgia torácica da Faculdade
de Medicina da USP; Chefe da equipe de cirurgia torácica
do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo; diretor
científico da Sociedade Brasileira de Cirurgia Torácica

 

O papel das ressecções sublobares, principal tema do evento, é um dos pontos atualmente mais controversos em cirurgia torácica oncológica para o tratamento do câncer de pulmão. Desde 1995, após a publicação do trabalho do Lung Cancer Study Group, a lobectomia pulmonar é considerada a ressecção padrão para câncer de pulmão em estádio inicial.

Contudo, séries observacionais mais recentes vêm mostrando resultados semelhantes em termos de sobrevida quando comparadas as segmentectomias anatômicas às lobectomias. Tal fato motivou o desenho de ensaios  randomizados, que estão sendo conduzidos atualmente nos Estados Unidos e no Japão.

Desde 1995 muito mudou. O PET permite estadiar e selecionar melhor  pacientes para o tratamento cirúrgico,e a tecnologia de vídeo e robótica possibilita a execução de procedimentos com menor morbidade e mortalidade. Além disso, observamos uma mudança no próprio câncer de pulmão, que vem sendo diagnosticado em fases mais precoces e com histologias menos agressivas, como no caso dos adenocarcinomas lepídicos.

Vimos no simpósio que existem várias situações nas quais a segmentectomia anatômica pode ser uma alternativa, como nos nódulos subcentimétricos e/ou subsólidos. Aspectos técnicos foram discutidos, com destaque para estratégias para a execução do procedimento de forma minimamente invasiva e métodos de imagem inovadores para o planejamento da ressecção.


*Reportagem publicada na revista Onco& 39 (Julho-Agosto-Setembro)
Acesse a edição completa aqui.

 

 

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.