Novo estudo reforça ideia de que quase metade dos cânceres poderia ser evitada com hábitos mais saudáveis

Estudos variados têm demonstrado a importância dos fatores ambientais e hábitos de vida para o desenvolvimento do câncer. Um estudo publicado em 2016 na Jama Oncology aponta que até 40% dos casos da doença poderiam ser prevenidos com a adoção de hábitos saudáveis.  Uma nova pesquisa conduzida no Reino Unido e publicada no British Journal of Cancer reforça a estimativa.

O estudo cruzou dados de levantamentos nacionais sobre fatores de risco associados ao câncer e cruzou com os casos epidemiológicos da doença na região. A partir daí, os pesquisadores calcularam quantos casos estavam ligados a fatores de risco externos, como o fumo, a obesidade e o sedentarismo. A análise mostrou que 135.000 casos da doença poderiam ter sido prevenidos com mudanças de vida, ou seja 4 em dez.

“Comparamos, por exemplo, o número de cânceres entre pessoas que fumam com o número de cânceres entre não fumantes para ter um risco relativo do câncer em fumantes”, explica uma das autoras do estudo, Katrina Brown do Cancer Research UK. “Usamos essa informação com dados sobre o quão prevalente é o fumo no Reino Unido e quantos casos de câncer existem, para estimar quantos desses casos eram ligados ao fumo.”

A pesquisa levou em conta fatores como a dieta e o peso corporal, a proteção ao sol, a exposição a substâncias cancerígenas no ambiente de trabalho, a proteção contra infecções que levam ao câncer (como o HPV) e o consumo de álcool e tabaco.

Pesquisas anteriores mostram, por exemplo, que o hábito de fumar é responsável por cerca de 21% de todas as mortes por câncer a nível mundial e aumenta em 20 vezes o risco de desenvolver câncer de pulmão, além de outros tipos de neoplasia. Já a exposição excessiva à radiação solar é causadora do câncer de pele, um dos mais frequentes. Já o sedentarismo e uma dieta pobre em fibras e rica em gorduras está associado à obesidade, que por sua vez, está ligada a mais de 13 tipos de câncer.

No estudo britânico, a obesidade apareceu como segundo mais importante fator de risco para o câncer, após o fumo. Os dados indicam que o sobrepeso está ligado a mais de 22 mil casos de câncer todos os anos no Reino Unido.

“Nossa pesquisa serve para incentivar as pessoas a adotar mudanças de vida positivas”, diz Brown. “São pequenos hábitos de vida diários que fazem a diferença.”

Sofia Moutinho

Jornalista multimídia especializada na cobertura de saúde, ciência, tecnologia e meio ambiente. Formada em jornalismo na UFRJ com pós-graduação pela Fiocruz/COC.